quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Desabafo XV: da nobreza de se morrer injustamente


Esse desabafo é um dentre dezenas de desabafos que compõe o livro Desabafos de minha autoria. Livro esse que trata de um movimento literário de desabafos cotidianos que costumo dizer que faz parte do Depressionismo¹. Tal texto têm como conteúdo as formas das injustiças passadas e cotidianas, ainda em produção e liberado apenas uma parte experimental do todo que é o Desabafo. Ainda cru, sendo construído a cada dia, o Desabafo da nobreza de se morrer injustamente, conta como nós estamos acostumados a acreditar na ideia de justiça proposta pelos ‘donos da verdade universal’, condicionados as suas éticas que só serve como dominação quando igualam o roubo de alguém por passar fome ao roubo de (des)governantes que roubam para manter seu luxo. Somos impedidos de ter uma morte honrosa, já que nossas vontades de consumo ultrapassou a nossa vontade de autoconhecimento. Em um mundo de consumistas, onde o que se têm determina seu grau de felicidade, onde o conhecimento se prende aos intelectuais e tais intelectuais, muitos desmotivados pelas injustiças e outros motivados a manter o grau da injustiça, se prendem e se limitam em suas línguas e se trancam em um mundo intrapessoal. Um mundo onde o conhecimento é cercado e impedido de chegar as grandes massas e que romantizam a ignorância do povo a ponto de acreditar que viver cego é melhor do que viver com sabedoria e harmonia, já que temem a revolução e o medo da morte e de perder suas conquistas é mais forte do que querer mudar o mundo para as próximas gerações. Onde Deuses da Injustiça comandam uma nação e a liberdade de tirania se faz presente quando o assunto é trabalho e emprego. O mundo descartável, onde descartam tanto plástico quanto amores, o mundo falho onde evitam o pedido de desculpa para manter o orgulho, o mundo depressivo onde cada vez mais nos tornamos sozinhos e tristes para manter a liquidez que se tornou os tempos atuais. Depois de tudo que se estudou, depois de tudo que sabemos, é melhor morrer de forma injusta do que continuar calado perante a injustiça cotidiana.

Desabafo XV: da nobreza de se morrer injustamente

   Na véspera de sua morte, Sócrates, ao ser indagado pela esposa sobre a injustiça que foi a sua pena de morte, responde: 'Você preferiria que fosse justo?', mostra o qual preparado estava o psicológico do patrono da filosofia ocidental à cerca da morte pela injustiça. Jesus ao ser crucificado, no conto da bíblia apela à Deus com a frase: 'Perdoe-os pai, eles não sabem o que fazem', também é um ato de nobreza do injustiçado morrendo através da injustiça, Hipátia por sua vez morre condenada injustamente por um povo ignorante que daria início à uma caçada contra o pensamento crítico, queimando escritos e destruindo todo o conhecimento adquirido pelas mentes mais brilhantes que já havia existido antes do fogo ter atingido propositalmente a biblioteca de Alexandria.
 Vivemos tempos de injustiça no Brasil onde, o foco é apenas para tipos específicos de pessoas, as minorias periféricas. Me refiro ao povo que em suas ruas, casas, lares... banhadas de sangue inocente a cada dia, crianças, mulheres grávidas, jovens... todos mortos por culpa da sociedade como um todo, isso não nos salva da culpa, pois quando digo sociedade como um todo, incluo a mim e a você leitor, que sem nos aperceber, somos culpados de sustentar uma rede de injustiça em silêncio para manter um determinado conforto perante ao sistema que nos foi imposto desde o momento em que nascemos, fora a nós, existem os que apoiam a injustiça de maneira cega, acreditando que todo o mal provém daqueles que são e/ou pensam diferentes, os que não aceitam as retratações dos injustos ou até mesmo praticam a injustiça para subir um pouco no sistema de ‘cadeia alimentar’ social, onde o ‘maior come o menor’, estando assim mais confortáveis em uma posição insignificante perante a todo sistema injusto que sustentamos com nosso suor e esforço. Saber dessa realidade me faz repensar se é o mesmo foco de injustiça aplicada desde os tempos de colonização, já que falo como brasileiro, mestiço, e que carrego em mim o sangue da mistura de pretos, indígenas, brancos e tantos outros sangues misturados que se torna impossível saber completamente minha arvore genealógica. A mistura se tornou comum depois da época contemporânea, depois das perguntas filosóficas; ‘negros têm ou não têm alma’ e ‘índios têm ou não têm alma’.
 Essa dominação veio antes da colonização brasileira, porém me apego mais ao fato da colonização, já que antes do homem branco pisar nessas terras trazendo todas as doenças, misérias e desgraças do seu ‘antigo mundo’ para um ‘novo mundo’, adoeceu a terra e expurgou Deuses, cultura, linguagens causando um genocídio em massa de povos e cultura. O exemplo dos Indígenas, donos verdadeiros do solo que pisamos, mortos injustamente nos tempos da colonização por doenças e que hoje em dia, sofrem com a morte cotidiana de pessoas de seu povo por pessoas que acreditam ser mais ‘evoluídas’ como aconteceu no passado. Passado esse que destruiu culturas, deuses e desvirtuou o pensamento de um povo que amava a natureza e vivia em harmonia com a mesma durante milênios, levando assim junto com eles um pedaço importante de sua história. Lembro do caso do Cacique que foi morto queimado por filhos de advogados e policiais, e pessoas que por sua vez trabalham e estavam prestes a se formar para trabalhar em órgãos relacionados à justiça. Os jovens responsáveis pelo crime continuam soltos com a seguinte desculpa aos órgãos de justiça: ‘pensei que fosse um mendigo’. Eles não pagaram pelos crimes e seguem libertos após matar um líder espiritual de uma aldeia indígena. Ou o exemplo do filho do megaempresário Eike Batista, o Thor Batista, que matou um homem negro atropelado, dirigindo bêbado, continua solto usufruindo de seu privilégio como mais um do topo da cadeia alimentar social que segue se aproveitando da falta de justiça do país, ou o filho de uma desembargadora que foi pego com quilos de drogas ilícitas e armamentos pesados e foi liberado pela justiça enquanto o Rafael Braga, homem negro e pobre, foi preso por portar uma garrafa de pinho sol, ou até mesmo Estamira, estrela de um documentário que ganhou diversos prêmios ao redor do mundo e com a ignorância do seu próprio povo, foi tratada como uma pessoa qualquer, não que ela quisesse ser tratada como rainha, mas sabia de seu desfecho, sabia que não seria bem tratada próximo a sua morte, têm em seu atestado de óbito falência múltipla dos órgãos e a sua família alega negligência médica, o que não duvido, já que ela era mulher, negra, relatada com problemas psicológicos e catadora de lixo. É incrível ver que um homem que rouba três galinhas para se alimentar e alimentar a família é preso enquanto políticos roubam dinheiro da nação estão soltos até hoje, uns morre sem receber seu devido respaldo, sem receber punição pelas suas injustiças, defendidos por aqueles que defendem o direito e defendem a inocência até que se prove ao contrário. Nunca gostei de advogados, a maioria deles não passam de calhordas, mentirosos que possui a responsabilidade de deixar criminosos soltos enquanto prende inocentes com ajuda de Juízes que já se mostraram com poder absoluto. Costumo dizer que o único poder que um Juiz não tem, é o de vencer a morte, já que foi comprovado, com o caso da guarda de trânsito que multou um Juiz por estacionar o carro em local não permitido, tal Juiz perguntou: ‘Sabe quem eu sou? Sou um Juiz’ a guarda de trânsito diz; ‘O senhor é Juiz e não Deus’ e o juiz a processou e ganhou o caso, comprovando assim que Juiz no Brasil é Deus. Deuses da Injustiça que vestem sua capa preta para dar sentenças injustas à ralé e assim proteger os verdadeiros bandidos que cercam esse país. Chegamos ao cúmulo da injustiça e da falta de vergonha na cara em que os donos da verdade e do poder quase absoluto pode fazer o que quer, são reis disfarçados e hoje, anseiam para que a pena de morte seja imposta, com a desculpa de que as cadeias estão cheias, já que mortos não comentam sobre as injustiças que sofreu pelos tão poderosos Deuses da Injustiça, seria mais fácil julgar todos os pobres à morte do que exercer o seu trabalho como Juiz.
  Os negros, quando retirados de seus continentes, mortos injustamente nas travessias das navegações de navios negreiros, onde cerca de trinta a cinquenta por cento chegavam vivos no ‘novo mundo’, lugar apelidado por aqueles que acreditavam e que ainda acreditam ser portadores da verdade universal, dominadores e destruidores do mundo, e que onde toca gera miséria, discórdia e desigualdade como sempre fez e como sempre fará ao longo de anos. A predominação do homem branco-europeu, possuidor de seus privilégios e responsável por tanto sangue derramado, hoje acredita fielmente que os negros venderam os próprios negros sabendo da forma de servidão europeia usando como desculpa para seus feitos, vitimando-se a ponto de acreditar que não foi culpa deles os extermínios que causaram. A servidão dos negros na África era completamente diferente da servidão europeia. Eles possuíam terras, casa, tempo de trabalho, a servidão europeia era uma servidão que carregava consigo a miséria, fome, torturas. O Europeu enganou os negros para leva-los ao ‘novo mundo’ e cometendo assim extermínio de diversas raças, destruição de ecossistemas para enfeitar as coroas de suas altezas. Destruíram dois continentes, diversos povos e impérios em nome de sua ganância, descobriu um novo continente para explorar e até hoje continua a destruir tudo, acoplando à sua cultura podre de dominação e implementando cada vez mais a cultura do povo destruído para eles mesmos no seu dia a dia, como uma espécie de adereço. Por isso que se falam muito em apropriação cultural, o ato de roubar parte da cultura para si e desvirtuar a historicidade dos adereços em nome da estética ocidental. Embranqueceram Jesus, roubaram o uso dos turbantes, roubaram as artes e os sons. Se parar para resumir, nenhuma cultura de tais dominadores existe, foram apropriações ao longo de toda a história. Usando o nome de um Deus que presava e andava com os miseráveis e com os injustiçados como forma de dominação, pregando assim a miséria e a injustiça, roubando a história, as tradições e catequisando todos aqueles que não acreditavam no Deus branco de olhos azuis e de cabelo lizo modificado estrategicamente para parecer que os brancos eram superiores por vontade de Deus. Seja com os nascidos na África, seja nascido na América, seja nascido na Índia, a tradição europeia absorve o que vê e reporia dando assim uma ‘cara nova’ para uma cultura ‘herege’ que destrói outras culturas e que não segue as doutrinas do próprio Deus que se diz seguir.
  Atualmente, com a globalização, as culturas Asiáticas estão sendo implementadas e modificadas para melhor servir aos ocidentais, suas religiões, suas culturas, suas culinárias. Meditação hoje é usada para impulsionar o mercado, já que escravo feliz produz melhor. Repetem mantras, fingem acreditar na paz para então assim abaixar a cabeça para os dominadores ocidentais. A Índia, berço de uma cultura completamente rica, está perdendo sua cultura em nome da globalização, para a entrada do capitalismo selvagem. Seus Deuses hoje são nome de ácidos usado de forma recreativa em eventos de músicas criadas por programas de computadores ocidentais, que no fundo é uma mistura de ritmo de outras culturas dominadas por eles. Nossas tecnologias são marcadas pela injustiça, todas construídas por fruto de trabalho escravo contemporâneo para fortalecimento da economia mundial. Os drogados com nome de Deuses recreativamente se dizem ter entrado em contato com Deus, uns até ousam em dizer que a experiência é esclarecedora, mas não deixo de pensar que tudo não passa de alucinações provinda de tal droga. Outros usam chás alucinógenos e mantras para pregar a paz, porém usam seu nome de guru para extorquir ou até mesmo abusar sexualmente das pessoas.
 Ao longo do tempo, com a junção dos povos indígenas e os povos negros, na américa surgem uma das servidões mais injustas do planeta. A ponto de sustentar muito luxo com o sangue dos negros e indígenas. Líderes Espirituais, Reis e Rainhas, aprisionados à servidão para sustentar o luxo e as vontades dos dominadores. Teimam em dizer que a escravidão já acabou e para que esqueçamos o que aconteceu, já que para eles é fácil, não foi o povo dele que foi dominado, destruído, desumanizado, catequizado, desinstruído e largado à miséria para que morresse toda uma raça de fome e de doenças e ao ver que não aconteceria tal expurgo, impõe-se a existência do ‘pardo’ na cabeça das pessoas descendentes de pretos e indígenas para acontecer um clareamento da sociedade. Dos nomes indígenas e africanos sobraram poucos graças a esse plano de tornar branco quem não é e retirando assim o orgulho de um povo e que segue hoje em dia, observando o orgulho que as pessoas têm de dizer seu sobrenome de descendência europeia com um sorriso de orelha a orelha. Nem eles se dão conta de que com a revolução industrial, os escravos não foram libertos pela bondade do Império, foi por pressão pós Revolução Francesa, Iluminismo e a chegada forte da Burguesia, que ao ganhar um potencial grande teve uma ideia ‘brilhante’ de destruir o planeta em troca de dinheiro. A ganância tomou posse do mundo e o mercado foi instituído como o dono do mundo. Com isso, as tentativas de embranquecer o povo negro foram desde prender sem motivo, aliás, existia motivo, se chamava vagabundagem, para morrer na cela e até mesmo deixar ao relento e com fome. Os indígenas, que foram catequisados para que esquecessem suas raízes, Deuses e sua personalidade perdendo assim sua cultura, sua língua, seus Deuses e que hoje em dia se resumem a vender arco e flecha de brinquedo nas cidades de pedra para conseguir uns pedaços de ferro que até 600 anos atrás, não sabiam da doença de espírito chama ganância, vinda com a cultura europeia. Os moldes da Europa, foi imposto no nosso país e continua sendo imposto pela educação, para dar a sequência ao plano de dominação econômica educacional e então, a abolição chega, hoje tratada como uma vitória por aqueles que não querem enxergar, respaldada aos moldes de educação que temos para a criação de escravos de forma inconsciente. Sendo assim se forma uma educação limitada para manter a escravidão com nomes diferentes; servidor, trabalhador, trabalhadores indiretos. Muitos ainda dizem que a escravidão acabou e foi abolida, tratam como uma vitória, mas a escravidão nunca acabou, ela mudou de nome e dessa vez, não se diferencia mais cores, não diferencia mais credos. A abolição da escravatura não passa do direito do branco se tornar escravo também. Podemos chamar isso de justiça? É justo manter pretos, brancos, índios, asiáticos, indianos como escravos, todos de mãos dadas para manter o padrão de vida caro dos donos das grandes empresas?
  Para que o branco entrasse no atual sistema escravocrata implementado pelos burgueses detentores da hegemonia financeira, eles tiveram que adequar para que eles não se sentissem tão escravos quanto os escravos, então, o nome mudou para trabalhador e logo após a corrente mudou para carteira de trabalho e a tortura física pela psicológica, como as frases que são repetidas para lembrar de sua miséria e o que você fará quando perder o emprego, mesmo que esteja sendo extorquido seu horário de trabalho ou até mesmo usando de seu poder como superior para implementar a sua vontade de dominação, chegando ao ponto de obrigar o sexo em troca da sua estadia no emprego, são esses exemplos; ‘quer ser demitido?’, ‘A fila para esse emprego está cheia’.
  Os indígenas, sem portar educação ocidental, os negros também sem portar educação ocidental tiveram que se virar para se ressocializar e se reestruturar para entrar nesse atual sistema escravocrata que venderam como uma maravilha de servidão, sabendo assim que as vagas seriam preenchidas por brancos em tudo, escola, trabalhos, hospitais, e ali, tiveram que lidar com a desigualdade. O extermínio foi tanto, que os tratamentos dos negros nos hospitais eram a base de desmembramento. Cortes ou furos eram encaminhados para a amputação. Hoje, esse descaso ainda existe, como o de um garoto, pobre que conheci que foi mordido por um cachorro na rua e tomou uma injeção de antitetânica. Aliás, para os negros tudo, em questão de saúde, se resolve na antitetânica.
  É impossível não notar e não ver algo tão escancarado quanto a injustiça cometida pelos dominadores e pelos que se dizem ter feito uma revolução ao tirar um tirano de cada país e colocar centenas de tiranos em cada país. Uns até tiranizam além dos limites de sua fronteira. O mercado é injusto na mesma proporção que a justiça é injusta. Não conseguimos mais confiar nos detentores das leis, criadas deles para eles mesmos, onde a constituição, ao exemplo do Brasil não se passa de um conto ou fábula. Nos obrigam a obedecer às leis que eles querem que obedeçamos, porém, eles não obedecem às leis.
 Com o respaldo e ajuda dos estudantes de Filosofia que se sentem no direito de se acharem filósofos, que vivem falando que roubar uma galinha para se alimentar é a mesma coisa que um político que desvia dez milhões de reais em merenda escolar, quinze milhões de reais dos remédios. Teimam em dizer que a corrupção vem de baixo para cima para que nós, povo, nos sentamos culpados por sentir a vontade de roubar algo para comer. Protegendo assim nós, deles. Jogam alimentos fora para não ter que vender por mais barato, não estão preocupados com a saúde de sua própria raça, envenenam nossa comida, nossa bebida, nunca se teve tanto câncer quanto hoje em dia. Nossas vidas são entregues para criadores de doenças e vendedores de remédios que lucra ao envenenar e lucram com o antídoto ao mesmo tempo.
  A profissionalização dos filhos dos ricos é paga pela população enquanto a população paga sua profissionalização e a do rico através dos impostos. Isso mudou depois da entrada das cotas, porém, não foi muito aceito pelos injustos que acreditam que isso é um favor que o governo está nos dando. Os ricos entrando para as Universidades Federais, que é sustentada em sua grande maioria pela classe mais pobre e o pobre pagando nos impostos a faculdade dos ricos e até sem direito fazer uma faculdade. Os que tentam terá que pagar parcelas as vezes até três vezes maior do que o seu salário. Equivale isso ao preto, que mesmo sabendo que sua vaga de trabalho é sempre difícil, devido ao racismo e o plano de embranquecer a sociedade, por sua vez se vê longe da possibilidade de se formar em um estudo ocidental. Apenas depois da implementação das cotas nas universidades, por um motivo de retratação do País pelas injustiças praticadas ao longo de sua história, e pela qual eu pude entrar em uma usando esse sistema de cota, nos faz relembrar a nossa tradição e os tempos de injustiça que nossos antepassados passaram e o tempo atual não é diferente, a injustiça ainda existe, e sempre defendida por aqueles que pregam a soberania ética e se esconde atrás de um Deus falso moldado a sua imagem e semelhança tornando assim, mais um falso profeta onde o livro sagrado se torna a lei superior, esquecendo o conceito de estado laico. Usam seu Deus moldado a sua imagem e semelhança como chicote e tentam punir os que não acreditam em sua crença, mesmo esse Deus pregando a paz entre os povos.
 Tendo em vista de que os europeus conseguiram a dominação ocidental mediante a injustiça me vem uma pergunta; será que é nada é mais nobre do que morrer pela injustiça?
 Antes, precisamos identificar o que é justiça, algo que os debates filosóficos até hoje não conseguiram definir. Porém eu entendo que a definição de justiça é algo como a definição de felicidade e a de liberdade. É um sonho utópico acreditar que a Justiça é feita plenamente e sem erro. O dito popular de que a Justiça tarda, mas não falha ou a justiça vêm a cavalo não me satisfaz. Sempre lutamos pela justiça, até mesmo quando não sabemos o que possa ser justo ou não para determinado momento, mas, ainda assim não me convenço de que a Justiça possa ser feita de maneira correta ou igualitária, acredito que exista retratação para seu erro e não um ato justo ou a aplicação da justiça. Até por que não se tem como ser completamente justo após a injustiça ser cometida a você. Então, é aí que entram os diversos problemas. Já que outras pessoas não saberão o que é justo para você, assim como seu grau de exigência de justiça pesa, ao ponto de querer vingança e a exigência de justiça de terceiros. Os advogados ou promotores, não chegam perto do que possa ser justo. Ao final, não existe justiça, existe retratação ao ato injusto. Isso faz perceber que, a justiça não existe, porém, a injustiça existe, já que ao sofrer determinado ato, tratamos como injusto ou não mediante as nossas concepções de justiça. Não conseguimos dar a retratação exata ao peso do ato ocorrido. Muito nos baseamos em olho por olho, a injustiça sempre beira a nossa volta quando pensamos assim.
  Dos atos injustos, ao ser praticado, cabe a nós recebe-lo e atentar a forma mais racional de lidar com tais atos. Sabemos que a injustiça toma conta de tudo de tal forma que nos cega perante as retratações e nos faz cada vez mais intolerantes aos erros dos outros e esquecemos os erros que cometemos. Ninguém nunca vai ser de todo justo. Sempre cometeremos erros por conta de nossas liberdades, mas cabe a nós, notar o próprio ato injusto e retratar para que ele não seja uma brecha para que o outro não pratique ato de injustiça como forma de vingança.

 É preciso muita paz interior para encarar a morte como uma amiga, ainda mais em tempos de injustiça, a morte que promete vir a todo instante, aparece de surpresa uma vez e mesmo sabendo ser a última vez, te visitará nesse corpo e te levará com ela. As formas de recebe-la são peculiares. Você pode abraça-la e aceitar sua condição ou pode recusar e recebe-la forçadamente.
 Nos tempos de hoje, me faz refletir: Todos estão preparados para morrer ou a sua preocupação individual vale mais que o destino da nação que todos presam. Estão todos preparados para morrer pela paz ou é só falácias e argumentos para demonstrar quem você realmente não é e simular de que está preparado para o sono eterno.
 Sinto que, cada dia estamos mais próximos dos momentos em que mais morrerá pessoas inocentes. O fascismo bate à porta dos brasileiros e todos estão o deixando entrar. Posso dizer que pode ser sim um mal necessário como pode não o ser. Isso depende das próximas gerações, os que não necessariamente compactuariam com os erros cometidos por nós. 
 Mediante as trocas da importância da vida dos seres de sua própria espécie ou de outra, para a importância dos objetos. Nos tornamos pessoas vidradas no consumismo e nas objetificações, relacionamentos líquidos e narcisista. Tudo isso nos torna despreparados para morrer. Nos prende aos objetos e ao mundo terreno de tal forma que a morte é temida não por ser a morte e sim por não usufruir de suas conquistas mundanas objetificadas. Seria, assim, os objetos os precursores de nossa falta de vontade de morrer ou é só o nosso instinto de sobrevivência falando? 
  Não creio que todos estejam relacionados, apenas com os objetos, mas sim com as objetificações. Objetificam o amor, a amizade, o carinho, o rancor... como se fosse aquele pedaço de pedra que brilha em uma tonalidade amarela que foi roubado de vários continentes para saciar a vontade daqueles que ao temer a morte, mantinha todos seus súditos e suas mãos, porém, não adiantou de muito, já que alguns nobres morreram pelas mãos dos próprios súditos. O ouro, a prata, o diamante.... Todas essas riquezas que os humanos acreditam ser riquezas, mas não passam de pedras e metais, dão seus devidos valores pela raridade ao se encontrar no planeta onde nos situamos atualmente, são muitos deles, alvo de cobiça por aqueles que se prenderiam à terra e evitariam o máximo que puder a sua morte, por medo de não usufruir das suas conquistas ilusórias do mundo pós-contemporâneo. Deprimente!
  Se ao final de nossas vidas, pensamos estar na beira de um caos interno, creio que o melhor a se pensar é: ‘valeu a pena ter vivido tudo isso. ’ Não digo agradecer a Deus, e sim ter em seu interior que o que fez foi em nome do que você acreditou ser necessário se fazer, tudo que usufruiu, suas dores, seus sofrimentos, seus amores e todos os seus atos foram importantes para o seu desenvolvimento como pessoa. Ser sem arrependimentos, não significa a pintura moldada da pessoa que não se propõe a mudar seus atos injustos, mas sim saber que ao ato de se cometer uma injustiça, pode ser o estopim para a mudança interna, saber que você fez tal ato e que não se arrepende de ter feito não significa que você vai repeti-lo e sim que sabe o que fez e evitará de fazer futuramente, já que seus atos influenciam em quem irá se tornar tão quanto os atos de outras pessoas influenciam quem você vai se tornar, assim mudamos quem somos e nos tornamos maduros com o passado. Claro, isso se você for uma pessoa que possui humildade e empatia, coisa que falta no mundo atual. Fazer com que você receba a morte de forma amigável é saber que sua vida valeu a pena ser vivida. Ser quem você é, retirar as máscaras e lutar contra a injustiça mesmo que se reflita em sua morte é ter uma morte honrosa. Precisamos aprender a morrer a cima de tudo. Porém o que nos ensinam nas Escolas e nas Universidades é aprender a ganhar dinheiro para continuar a vida medíocre de gastos e manutenção do sistema atual que só mata e destrói tudo o que vê pela frente. Não sabemos lidar conosco, com a natureza, poderíamos saber, se as invasões europeias não fossem tão cruéis, se não tacassem fogo na biblioteca de Alexandria, se déssemos ouvidos à Estamira enquanto vivia, se evitássemos esse aperto no coração ao evitar dizer que ama alguém por medo de não ser correspondido de acordo com as doutrinas imposta de relacionamentos monogâmicos. Nos limitamos como pessoas todos os dias por dominação dos poderosos, evitamos de dizer o que queremos para quem queremos, nos tornamos cada vez mais líquidos, impedimos nossas vontades e nos torturamos com arrependimentos desnecessários. Já que nenhuma das nossas “revoluções” deu-se a importância da comunhão dos homens, animais, plantas, organização de espaços, demarcações, sustentabilidade. Nos tornamos cada vez mais depressivos, usamos remédios para impedir nossas tristezas, que são essenciais para a construção de uma pessoa, evitamos de que as crianças andem descalços, caiam de uma arvore, nos tornamos protetores de mais, argumentamos que nossos descendentes de sangue são mais importantes, continuamos disputando entre nós como o “exemplo da natureza do mais forte” de forma ressignificada, temos uma percepção de mundo completamente desvirtuada e injusta. A justiça nesse mundo não existe e morrer de forma injusta é a melhor forma de se morrer nos tempos atuais. Mediante a toda tirania imposta nos tempos de hoje, esse texto serve para dizer que não me calarei perante as injustiças do mundo. Se desejar minha morte, não desejarei o mesmo, desejarei a sua vida, já que no mundo injusto que vivemos, é mais justo morrer pelo que acredita do que viver calado para satisfazer o ego dos agentes da injustiça. Mate-me enquanto é tempo, pois não me calarei perante suas ordens e não me esconderei e te garanto, eu estou mais pronto para morrer do que todos os que me perseguirão nos tempos que estão por vir.

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