terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Relatório de Estágio I






RELATÓRIO DE ESTÁGIO I:
Observação das aulas





Alexander Augusto Santos Silva





Pelotas, 2018.



INTRODUÇÃO
Este relatório de estágio observatório precisaria de um conjunto de observações, tomei a liberdade de fazer as observações no mesmo dia em que participaria das aulas ministradas pelos colegas de classe, já que o intuito do meu relatório era a diferenciação das aulas ministradas entre nós, universitários dentro de um campus universitário e as aulas ministradas em uma escola pública. Assim, eu poderia destacar as diferenças entre as exposições demarcando em si a expectativa e a realidade entre a forma de aula em que um licenciando oferece para os seus colegas de turma e a realidade do ambiente escolar. Não produzi esse texto para criticar a forma em que meus colegas ministravam as aulas e sim a forma que nos é passado um treinamento distinto da realidade factual de um ambiente escolar. Destacando as principais diferenças entre ambas formas de apresentações aos receptores das aulas. A análise do relatório referente à escola se encontra cronologicamente nas observações das aulas e a diferenciação entre universidade e escola se encontra no final do relatório. Destaco também a limitação na sala de aula e o contexto do dia, questionamentos que me fiz em meio as aulas que participei. Destaco que comparo com os tempos em que estudei e tentei comparar ao máximo o que tinha mudado. Esse relatório não têm o intuito de encontrar o que está errado ou não, apenas o meu pré-julgar por estar pela primeira vez na posição de observador. Serve para que se reflitam tudo que foi apontado por mim a cada palavra.



Não colocarei o nome da escola pois não posso expor a mesma



1.5 Analisar
Normal notar que; Pelo PPP, algumas coisas que entram em contradição com a real condição escolar, destacando por exemplo; quando se tratava em condição de comunicação com os alunos por motivos de falta de estrutura e em relação aos alunos e aos membros que os recebe na instituição. Já que o ventilador e as salas próximas de uma via de tráfego intenso, tornava a aula impossível de ser escutada?

2. OBSERVAÇÃO DAS AULAS
2.1 Aula 1 (23/11/2018): Primeiro Ano do Ensino Médio, Segundo Turno: Aplicação de avaliação (prova) sobre Estética.
A primeira aula foi uma avaliação para o primeiro ano do ensino médio. Primeira ação da professora foi a chamada. Todos os alunos fizeram a avaliação e a correção seria entregue na próxima aula que a professora teria com a turma, no caso dia primeiro de Dezembro. Dentro da sala de aula se encontra os seguintes objetos para o uso do professor e dos alunos; Quadro digital, dois ventiladores grandes que saem da parede de onde fica o quadro e a professora, mesas e cadeiras, televisor de Led, seis lâmpadas florescentes, chão de madeira, um armário onde são guardados livros didáticos extras, uma lixeira e duas janelas em direção à rua.

2.2 Aula 2 (23/11/2018): Terceiro Ano do Ensino Médio, Terceiro Turno: Pensamento Político de Hannah Arendt
A segunda aula foi para a turma de terceiro ano. Primeira ação da professora fez a chamada. Todos os objetos da aula anterior estavam presentes na sala de aula. A professora cobrou aos alunos o texto que tinha disponibilizado no grupo da turma. Quatro de trinta alunas ao fundo da sala disseram não ter lido pois não conseguiram abrir o arquivo, duas de trinta alunos disseram ter lido e dezenove de trinta alunos nem se quer notaram a presença da professora, entrou na sala de aula. O resto dos cinco alunos, permaneceram quietos na sala de aula olhando para a professora. Nota-se que os alunos estão enérgicos e não param de falar, três alunas fazem a unha dentro da sala de aula, duas alunas passaram a aula inteira ouvindo música e os alunos, meninos, conversavam sobre futebol a aula inteira. A professora inicia a aula tendo que reler o texto para os alunos. Conforme a aluna lê o texto; ‘Filosofia em Tempos Sombrios’, que contava a vida da filósofa Hannah Arendt e seu contexto histórico, os alunos não paravam de conversar, o barulho dos ventiladores era mais alto do que a voz da professora. Poucos alunos se esforçavam a entender em meio ao barulho da cidade, ventilador, calor e a aluna tentando ler. Ao meu olhar, apenas seis de trinta estavam prestando atenção na aula. Mesmo diante a tanta dificuldade de comunicação professor/aluno (barulho da rua, barulho do ventilador...). Uma aluna se destaca ao mostrar que leu o texto, debatia e fazia colocações sobre os contextos e se mostrava muito interessada no assunto. Tal aluna fez diversas colocações sobre totalitarismo, escravidão e o contexto dos dias de hoje. A professora chama atenção dos alunos constantemente, todas as vezes eles ficam em silêncio por menos de trinta segundos e voltam a falar. A aula termina e, a professora pede um fichamento para os alunos. A aula acabou e só deu tempo de ler a metade do texto que havia pedido para eles lerem em casa. Como eles não leram, por sua vez, ela precisou que o texto fosse lido em sala de aula para dar o assunto como dado. Em resumo, noto que do plano de abordagem que a professora tentou passar em aula, levando em consideração de que o texto fosse lido em casa, a aula seria explicativa para que os alunos tirassem suas dúvidas e seria adentrado mais no pensamento político da Hannah Arendt. O que não foi o caso, já que a maioria não leu e não se importou com a matéria dada. Ou seja, essa aula só serviu para reforçar a leitura do texto mediante a necessidade da entrega de um trabalho pois assim os alunos teriam que ler o texto. Ao final da Aula, a professora entrega aos alunos um trabalho feito pelos alunos no primeiro ano do ensino médio. Esse trabalho serviria de maneira prática para mostrar a evolução deles com a cadeira. Muitos dos desinteressados se interessaram neste momento, não lembravam do trabalho e para eles foi uma surpresa. Foi o primeiro trabalho feito por eles, em grupo, seguindo as normas e as regras da ABNT. O sinal do intervalo bate e todos os alunos nem se quer se despedem da professora, todos saem para o intervalo.

2.2.1 Intervalo (23/11/2018) Sala dos Professores
 Da sala dos professores, que fica no segundo andar da escola, dá para observar o pátio, noto que é a hora onde sai mais risadas entre os alunos e os professores, descontrações e os grupinhos dos alunos e dos professores são formados, eles correm, brincam e se divertem, conversam entre si. Ali eles estão sendo. Nada de diferente das escolas que estudei. Por isso decidi então participar em um lugar onde nunca estive, sala dos professores, momento de intervalo.
 Os professores conversam sobre os alunos, sobre as suas respectivas vidas, são servidos de café, lanche, chá, mate. Uns se isolam no celular e outros mantem uma conversa amigável uns com os outros. Noto que existe intrigas entre os professores, porém o respeito se mantem. Uns notam minha presença, mas não mantem diálogo comigo, a única que conversou comigo no intervalo foi a professora Marta, a qual eu estava observando suas aulas. Em meio a conversa, no fim do intervalo, que passou tão rápido que nem notei, a Coordenadora entra na sala dos professores, fecha a porta e diz que um pai apareceu na escola e tomou duas horas do seu tempo no início do dia letivo. Reclamando um assunto que ela não expos, com isso, ela não conseguiu supervisionar as alunas que entraram com roupas não apropriadas. Sendo assim, ela pediu para que os professores mandassem descer para a diretoria. Eu não entendi essa atitude da direção de exigir que os professores fizessem tal ação, já que isso contradiria o próprio PPP que se diz embasado em Paulo Freire. Noto que para a direção, são essas roupas que para eles, incentivam um assédio velado pela própria instituição, que preferem não debater sobre assédios e sim limitar o corpo da vítima mantendo uma cultura de opressão para com as alunas.

2.3 Aula 3 (23/11/2018): Primeiro Ano do Ensino Médio, Quarto Turno: Natureza e Instintos
Na sala do Primeiro Ano, quase todos os objetos da sala de aula se fazem presente, menos o armário. A primeira ação da professora foi fazer a chamada. As carteiras nessa sala estão rabiscadas. A professora chega em sala de aula, dessa vez na sala a comunicação era maior entre os alunos. a aula está com alunos bem comunicativos, a professora cobrou o resumo da aula anterior e pediu para que os alunos assinassem uma ata confirmando a entrega, logo em seguida ela nota que esqueceu o texto em seu armário, sai da aula para pegar e a turma fica sem professor até ela voltar. Noto que a turma pouco a pouco começa a conversar de forma baixa. Não sei se minha presença causou a conversa moderada, então, decido tentar ouvir os assuntos. Ao aguçar a minha audição, noto que muitos deles conversavam sobre a matéria; ‘Matemática’. A professora chega em sala de aula, distribui o texto para todos os alunos, no fim da entrega do texto, entra o supervisor do SOP, o assunto das roupas curtas é abordado, o que retira duas das meninas da sala e as manda para a direção. A professora sem reação observa a ação que gera revolta entre as meninas após a saída de duas das alunas. Uns meninos também comentam, porém as meninas destacam que os meninos estão usando bermudas menores e não são chamados. Ali as alunas começam a discutir e dizem ser injusto a atitude da escola, logo, em meio a revolta, os alunos começam a acusar e entregar uns aos outros mostrando o quanto os alunos são separados, a desunião dos próprios alunos. Nota-se que ali os alunos estariam aptos a debater conceitos como ética, justiça... 
A professora decide dar continuidade a matéria. Já que a aula está acabando e têm a obrigatoriedade de se seguir a aula, a professora apressa sua matéria falando sobre natureza, evolução humana, linguagem e cultura. Uns alunos adentram no assunto, porém o sinal toca e a aula acaba sem chegar em 1/3 do assunto que seria tratado na sala de aula já que tal acontecimento atrasou a aula.

2.4 Aula 4 (23/11/2018) Segundo Ano do Ensino Médio, Sexto Turno; Metafísica na idade moderna
Noto que a sala é a maior que eu entrei. Todos os objetos citados na primeira sala de aula estavam presentes na mesma. A turma é mais participativa, porém o ultimo tempo é o menor. Noto a dificuldade da professora de aplicar a sua aula com um tempo tão curto. É cobrado e posteriormente explicado um trabalho sobre reaproveitamento do lixo, que os alunos escreveram e que a professora quer que os alunos ponham em prática, sendo um trabalho em grupo. Primeiro ato da professora foi a chamada. Ela reexplica o trabalho que é sobre reciclagem. Depois de reexplicar o trabalho, ela faz o processo de leitura do livro didático para os alunos onde todos permanecem em silêncio enquanto o texto vai sendo lido por uma aluna, o tempo é curto e no final ela pede para que façam um exercício para a casa do livro didático após o texto que não deu tempo de ser lido por completo. Pede o exercício 12, 13, 14 e 15 após o texto. O sinal toca e os alunos saem da aula, uns perguntam sobre seu bebê, nessa turma, notei que todos são muito ligados uns aos outros, todos se despedem com beijos, abraços e desejam um bom final de semana para a professora e para seus colegas de turma.  





CONCLUSÃO
            No primeiro dia que fui para tentar fazer o estágio, a professora, que está grávida, ficou doente e não foi, na outra semana a escola estava em uma organização de evento de dia das Bruxas, e na semana posterior era uma sexta depois de feriado onde não teria a experiência por completo, restando apenas última sexta feira (23/11/2018). A escola carece de muitas coisas, entre elas, comunicação professor e aluno. Culpo as circunstancias e o meio político em que a escola está inserida. Os alunos vão para a escola desmotivados e completamente desinformados do que é a escola em si. Os professores saem das universidades pensando encontrar um sistema utópico estilo universitário, onde o silêncio e a informação científica é predominante. Creio que perdemos, como universitários, um pouco da nossa sensibilidade, vivência na escola, costume da vivência do ensino médio. Nós nos parametrizando as formas de aula da universidade, onde existe um espaço de 3 a 4 horas de aula sobre o mesmo tema. Os professores se tornam desmotivados ao ver a prisão que eles estão impostos a conviver. Os alunos estão presos em ideias e formas antigas de ensino, os professores nada podem fazer, já que as aulas passam tão rápido que não dá tempo para concluir nenhuma aula. A maioria dos alunos, sabem da injustiça que vivem, possuem potencial de modificar o ambiente escolar, mas eles não são instigados a agir como unidade, eles são em sua maior parte desunidos e uma escola que une seus alunos se torna uma escola transformadora, eles são instigados a copiar e não raciocinar. Sabemos disso pois o sistema educacional funciona assim, mas a mudança pode vim dessa nova geração que não se entende e embora tenham celulares, não se comunicam. A escola limita e padroniza todos, qualquer escola é assim. Uniformes, horários, regras e deveres são impostos e não debatidos. O que intriga é a manutenção dessa forma de comando escolar que se foca em números e estatísticas para aumentar o seu ganho que o governo nos obriga a manter. Independente da escola, a sua obrigação é ensinar, porém nos limitam a fazer com que os alunos copiem. Os alunos copiam, leem pequenos textos de forma desmotivada. A escola se transformou em um lugar de tristeza e solidão. Os alunos se isolam uns dos outros, geram grupos e nem se quer conseguem compreender que ali é o local de informação e que os vai impulsionar para a vida adulta. Os assuntos pautados pelos pensadores da educação citado no PPP foi abafado quando o assunto foram roupas inadequadas para as meninas, porém, meninos usavam bermudas mais curta do que as delas e não eram visto da mesma forma que previa Paulo Freire, por exemplo. Os alunos estão aprisionados e aprisiona-los não resolverá o problema. Retirar meninas com roupas no joelho em dia de calor não resolve o problema. Precisa-se conscientizar o papel da escola em meio a tal problema. Os alunos, meninos e os homens da escola deveriam saber lidar com o corpo feminino da mesma forma que eles lidam com o corpo masculino, o corpo feminino das alunas ainda continua hiperssexualizado. Depois de ter saído da escola à dez anos atrás. Nada mudou, a escola omite os temas transversais por não ter tempo, pois deve-se encaixar muitas aulas em pouco tempo. O som ensurdecedor dos ventiladores, do trânsito faz com que diminua a comunicação do professor com o aluno, que por sua vez, já que não escuta, prefere conversar com os amigos. Os professores tentam chamar a atenção para eles, mas a tensão do ambiente faz com que eles percam o interesse nas aulas. Se devo destacar as vítimas de tal sistema que por sua vez, não vêm da direção e sim do governo, são os professores e os alunos. Diferente das aulas ministradas na universidade, onde todos ficam em silêncio, de olho no professor, levantando a mão para se inscrever para falar em meio a um contrato social instituído pela universidade. Os alunos e as aulas de ensino médio são difíceis de controlar, tanto que muitos alunos dizem respeitar apenas os professores que gritam, pois eles gritam e assim se mantêm o silêncio na sala de aula. Porém, uma boa aula não é uma aula em silêncio, uma boa aula não é a aula que segue as diretrizes da escola e do plano pedagógico, muito menos uma aula em que você falou com as paredes o tempo todo e no final ninguém entendeu, porém, eles balançam a cabeça dizendo que sim. Uma boa aula é uma aula onde a curiosidade seja aguçada, onde o aluno participe de livre e espontânea vontade, onde as dúvidas são retiradas em um debate aberto e horizontal entre professor e aluno. As diretrizes da escola limita, e muito, os educadores, os educandos, a direção, os pais e assim, consequentemente limita a sociedade, que por sua vez, mantém o mesmo método sistemático educacional limitado. A forma que são tratados os alunos, os limitam, os reduz cada vez mais como indivíduos, limitam a criatividade e parametrizam todos. Não se incentiva o pensamento crítico e muito menos os tornam aptos e prontos para o mundo fora da escola. O sistema educacional nos aprisiona, nos parametriza e torna hereditária as injustiças cometidas fora dela. Porém, não se pode fazer muito, já que dependemos dos governantes eleitos para mudar essa realidade dura que é a Escola. Agora, a Universidade enquanto formadora de docentes, deve nos mostrar constantemente e desde o início do primeiro semestre a dura realidade das escolas, para evitar desilusões futuras para os formandos em licenciatura, que foi o caso da coordenadoria do curso. Ademais, agradeço a oportunidade de poder ter vivido essa experiência de em um dia presenciar dois polos distintos da educação, a formação de professores e a formação de cidadãos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Carta aos doutrinados pelo falso profeta de Deus

Não adianta chorar a minha morte se você foi o responsável pelo ódio hereditário. Não adianta dizer que me ama se a sua mão estará coberta com meu sangue. Não adianta pedir a mim perdão, se aos gritos de desespero não vi nada além de suas costas ao invés de sua mão para me ajudar. Não adianta dizer que foi enganado se não me deu ouvidos, se não praticou a caridade exigida pela sua religião, ao invés disso, só vi julgamentos e o pecado cometido por Lúcifer em nome do todo poderoso Deus que vocês creem. Não quero que vá ao meu velório parentes e amigos que compactuaram com essas injustiças que acontecerão. Sabe o dito popular; 'nem morto'? Não dou permissão para carregar meu cadáver até a cova que vocês cavaram. Não sou obrigado em morte de ter meu corpo molhado pelas lágrimas falsas dos que me têm ofendido e desmerecido em nome de um Deus que, em seus ensinamentos, não propagaria o ódio. Porém vocês, 'seguidores d'ele' propagam. As indiferenças e a exclusão que vocês mesmo fizeram do outros membros do cotidiano familiar e se trancaram em sua ignorância ao serem doutrinados por pastores que usam o nome do seu Deus em vão para conseguir dinheiro e enriquecer as custas da sua ignorância. Não aceitarei feliz natal e felicidades no ano novo por vocês que defecaram no livro que tanto reproduzem e prezam, cometendo todos os 7 pecados, desrespeitando todos os 10 mandamentos do Deus Preto embranquecido pelos europeus afim de dominar vocês, plebeus, por eras. Sujaram o nome do Deus que louvam. Se enganaram ao acreditar que eu aceitaria o seu pedido de paz. Jogaram sangue na minha roupa branca de réveillon. Cuspiram na minha cara e dos que foram protegidos pelo Deus que vocês acreditam. O seu Deus não aprovaria tal ato cometido por seus fieis, Vocês são eternamente responsáveis pelo ódio propagado na sociedade hoje em dia. Destroem templos de outras religiões e seguem acreditando ser soldado de um Deus que não permitiria tal nome (soldado) ao lado do nome que representa tal Ser. Vocês repudiam os diferentes, destroem culturas, danificam a moral e denigrem a imagem de outras religiões. Sendo assim. Não culpe o educador pelos erros que vocês cometem como pais. Não culpe a escola por doutrinação, pois vocês, além de doutrinados, doutrinam seus filhos a cometer a injustiça que foi abominada pelo deus que vocês rezam.
Não darei feliz natal, Não darei feliz ano novo. Pois o ano que vem será o início da infelicidade de todos por culpa de vocês, doutrinados pela palavra falsa do Senhor(pastor) e não do todo poderoso Deus que vocês creem acreditar ser Amor e Paz, afinal, só vejo vindo de vocês ódio, rancor e injustiça.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ensaio sobre o desconhecimento humano


  Nada mais cru do que a sensação, as captações do mundo pelos nossos sentidos, o empirismo à cerca do que conhecemos nos dá uma visão limitada de mundo, já que nossos sentidos não conseguem captar até onde podemos dizer ser conhecimento para a filosofia ou ciência. O empirismo sozinho não nos dá a razão e nem o conhecimento do que é o universo em si. Quantas vezes acreditamos saber de uma coisa, mas no fim, notamos que nos faltou mais informações científicas e que aquilo que detivemos como verdade durante anos se rompe mediante a certeza científica e filosófica? A ciência poderia nos explicar o que conhecemos empiricamente? Somos nós mesmos os responsáveis pelo que conhecemos empiricamente? Os nossos sentidos são mesmo confiáveis? Como posso compreender o que você pensa se nossas linguagens, por mais que parecida, expressam mensagens diferentes? Conhecer a si mesmo é o bastante para lidar com o mundo?

 Durante gerações, a filosofia tentou explicar algo que me parece inexplicável momentaneamente. Pode-se dizer que em um futuro, essas perguntas finalmente se encontrarão com a verdade, isso é, caso a humanidade não se mate por conta das suas vontades egoístas e brigas sem sentido por pedaços de objetos que se representam em papeis e metais que servem, consequentemente, para se comprar vidas. Ou até mesmo um dia que a ciência deixaria de servir tais detentores de papeis e metais e seguir uma visão em que beneficiaria a vida dos hospedeiros desse lar que chamamos de Terra?
 A ciência, por mais longe dos conhecimentos internos humanos, procura respostas fora do ser de maneira mecanicista, outras formas de ciências procuram nos órgãos onde é o gatilho para o nosso ser pensante. Claro, acreditar que uma parte do nosso tão misterioso e genuíno cérebro é de certo modo válido, já que os impulsos elétricos do nosso cérebro são responsáveis por vários aspectos do nosso eu. Porém, não creio que esse modo de pesquisa mecanicista funcionaria para o entendimento de um órgão tão complexo que acaba por ser mais potente do que qualquer tecnologia que criamos. Já que por mais que tentamos, as Inteligências artificiais que temos não chegam ao patamar de raciocínio humano. É uma forma de pensamento diferente do homem, é usado mais a lógica em si do que nossos impulsos Empíricos.
 O fato é, os nossos sentidos, Tato, Visão, Paladar, Audição e Olfato são nossas portas para o mundo que acreditamos ser o real, tais sentidos, nos dá aspecto de frio, distância, gosto, captação de ondas sonoras e a habilidade de se sentir cheiro. Esses sentidos, tão evoluídos através do tempo e da história nos dá sentimentos a partir do momento em que os pomos a prova. Estar em uma altura muito grande na beira do penhasco, por exemplo aguça nossos sentidos já que o nosso sistema nervoso e a ligação do cérebro a visão, nos alerta do perigo que seria cair. Tal medo se explica pelas experiências que se teve na vida em relação a cair de uma determinada altura, sendo assim, por mais desesperada que seja a vida de um suicida, ele sempre titubeia antes de se jogar de uma altura suficiente para se matar. Porém, uma pergunta que sempre me surge é: Será mesmo que evitar os sentimentos e encontrar a “razão” nos evoluiria?
 Nota-se, claro, empiricamente, que evitamos de sentir determinadas coisas por medo. Deixamos de observar aspectos como por exemplo, uma pessoa passando fome, alguém sofrendo de depressão e até mesmo fingimos não ouvir pedidos de ajuda graças o formato que tomou a humanidade. Detentores de razões mecanicistas e poucos preocupados com as funções práticas do contexto em que vive. Fome cada vez mais aumentando, falta de empatia e até mesmo a desvalorização de palavras, antes usadas para fins exatos, hoje se tornando vírgula nas mãos dos mesmos que evitam seus sentimentos. Digamos que quanto menos sentir melhor, já que decidimos por meio de argumentações e discurso lógico que tais raciocínios vindos das nossas sensações e sentimentos se chamam juízo de valor.
 Evitamos sentir por acreditar que quem não sente é superior. Porém, dentro de uma visão emocional, se esquece das feridas da vida e das marcas que nos tornam únicos já que não possuem valor de verdade para as argumentações logicas. Ainda mesmo com toda essa disfunção que se tornou a busca pela razão de modo a servir aos poderosos com suas éticas falhas onde os únicos obrigados a usar são os miseráveis e a política que mais serve para enriquecer os donos das empresas.
 Nos trancamos covardemente entre grades e portões para evitar o medo, nos trancamos entre caras e facetas para evitar o sofrimento do que é amar. A cada dia, livros de autoajuda são criados para o ato de conquistar alguém por medo de falhar. Medo de falhar em perguntar nos limita, faz com que os conhecimentos nas escolas e universidade se tornem vagos. A cultura de conhecimentos empíricos hoje em dia desaparece quando a razão tenta explicar que somos seres inteligíveis, porém não mostra que cada uma pessoa no mundo não passa de um erro lógico.
 Por centenas de anos nos foi negado o prazer de se sentir por culpa e medo de Deus, logo em seguida nos dão a notícia de que sentir é ser levado ao erro e hoje em dia aqueles que permanecem na base da grande pirâmide abusam do uso dos sentidos para se sentir mais vivos. O consumo de drogas ilícitas e lícitas aumenta alarmantemente e com ele, o lucro das empresas e do tráfico. A humanidade anda doente de corpo e de alma. Isso explica do porquê existe tantas farmácias, igrejas e bares. Nos dão para comer comida contendo agrotóxicos, viciam nossas crianças com açúcar, incitam nossos jovens com o consumo excessivo de sexo para procriar ainda mais e ter uma fonte de trabalhador sempre renovada para assim conseguir cada vez mais mão de obra renovada com o sangue e a vontade da juventude, dão aos adultos o direito de encher a cara com álcool ou outras drogas para esquecer a vida medíocre que vivem e aos idosos só restam os remédios caros e a falta de respeito com aqueles que durante anos contribuiu para os avanços políticos e científicos da sociedade em geral.
 Conhecemos hoje o átomo, temos visão do universo em geral, porém, não conhecemos nós mesmos graças ao esquecimento de uma questão que a filosofia deixou de tentar responder graças a ascensão que a filosofia teve devido ao esquecimento do que é ser humano. Afinal, porquê temos tanto medo de sentir?
 Primeiro, devemos notar que quanto mais mecânico é a argumentação e quanto menos falamos o que sentimos melhor é ao retórico. O conhecimento puro cientifico não nos serve de nada, se não estamos em paz conosco, conhecer o universo que é um único ser humano. Isso não é resposta para se dar em uma equação lógica. O amor, a amizade, a vontade de ajudar o próximo não é explicável logicamente por sermos um poço de contradição, contradição essa que nos torna humanos, passivos de erros e capaz de aprender a partir de onde erramos.
 Conhecemos o mundo pelos sentidos assim como interpretamos o que conhecemos pelo que sentimos. As palavras, ou seja, as formas de linguagem nos dão uma ampla visão do qual contraditório para a lógica é o ser humano. A linguagem está sempre mudando, palavras perdem significado e outras novas aparecem. Com a globalização, palavras do país supremo que explora países menores para benefício próprio se agregam aos países pequenos à ponto de se obrigar tal população ralé, aos olhos dos poderosos, o dever de aprender como língua secundária e/ou obrigatória para receber em seu país os filhos da pátria mãe das bombas nucleares capaz de destruir o planeta e todos os seres que o abitam.
 Não damos o valor devido aos nossos sentimentos. Os sentidos responsáveis por algo único que é a vida de uma pessoa são destratados como um ato falho para que se esqueçam o verdadeiro sentido de tais instrumentos. A dualidade que é o recebimento das informações é destruída pelos argumentos cheios de lógica à ponto do esquecimento que é o sentir. Conhecemos o mundo primeiramente pelos sentidos que temos, mas a ambição do homem sempre o faz querer mais.
 A cada dia que passa, perdemos mais funções dos sentidos, nos tornamos sedentários. Todos em frente à uma tela, sem contato físico, corrompidos com a ideia do quanto menos se sente melhor. Recorremos pouco às nossas memórias já que temos hoje em dia métodos de nos lembrar coisas como celulares, redes sociais. Tornamos público nossos pensamentos frágeis e raciocinar não está sendo o forte da geração formada com tanta facilidade ao ponto de gangrenar em frente a uma máquina que tinha tudo para se tornar um grande projetor de conhecimento e cá estamos nós, uma sociedade que não sente, que absorve lixo e que não têm memória boa já que não a exercita. E cá estamos nós, uma geração que, diga-se de passagem, nunca leu tanto, porém, coisas sem importância por falta de desbravamento da vida. Uma montanha de Fake News, distribuição gratuita de ódio e sendo assim, a internet se transforma no anel de Giges que Platão sempre dizia.
 A culpa não é só do esquecimento do que conhecemos através dos nossos sentidos e sim do que transformamos os modos de conhecimentos. As sensações empíricas que nos remete a dor, prazer e entre outras formas nos faz aprender mais. A prática se sobressai da teoria e teorizar de mais não resolve os problemas que devemos encarar. Criamos tanto as crianças encarceradas em casa que hoje em dia existem surtos de pânico, depressão e ansiedade. As energias que absorvemos não são gastas e quando são gastas são em academias fechadas para se caminhar em uma esteira que simula uma rua.
 A obrigação que é servir ao capital cedo nos faz perder o momento mais glorioso da nossa vida, a juventude, o auge da experiência que em suma é gasta em festas de open bar regado a álcool e cigarro. Todos com música alta para espantar as vozes que gritam ensurdecedoramente sua cabeça dizendo o qual fracassado é. Quanto mais fracassado, mais querido por todos. Depressão e ansiedade é romantizada, síndromes são disfarçadas de normalidade e se expor ao ridículo está fora de questão. Afinal, nada mais ridículo do que sentir o seu corpo em uma dança na rua, testar sua voz em momento de felicidade em meio da rua. Enquanto isso, o ponto de ônibus mostra cada vez mais o qual amarga e triste é a vida dos seres humanos privados de seus sentidos durante dias em uma semana para que possa se envenenar graças ao rancor de não poder mostrar ao mundo quem é.
 Uma das emoções provindas do empirismo que os ricos possuem que mais me intriga é medo. Porém, é um medo com classe. Claro, o medo de perder seus bens materiais é maior que a sua ganância por novos bens. Nunca fui rico para falar com propriedade, mas creio que para mim, o rico tem medo de que o pobre descubra que é maioria e que por sua vez reivindique a sua liberdade.
 Sobre os nossos sentimentos que vêm das nossas experiências empíricas e a nossa vontade de querer mudar ou continuar no erro, que é a grande contradição humana, devo dizer que não faz mal sentir ódio e rancor, como muitos filósofos do espírito andou dizendo, é apenas a expressão da vontade do ser. Os sentimentos ruins existem para identificar o que você quer da sua vida. A grande cura para a felicidade contemporânea trata as tristezas como doença, e no fundo, o que querem é um bando de gado sorridente, pois feliz se produz mais e nada melhor do que um ópio para a sociedade que se tornou as datas festivas, feriados que além dessa finalidade, também serve para o aumento do lucro das empresas ditadoras de regras e intervencionista quando o sentido é liberdade humana.
 O único fato do que o humano deveria conhecer sobre os sentidos é aproveitar enquanto estamos agraciados com a vida, sentir o vento no rosto e lembrar de um dia, ouvir uma música que te lembra de alguém, sentir um cheiro de algo que gosta como os cheiros das rosas. A nossa busca pela felicidade é incentivada pelos comerciais de TV e YouTube, o nosso amor se encontra objetivado em um lanche de uMa lanchonete e assim nos tornamos mercadorias com sentimentos encubados. Somos sérios, estamos sempre de cara fechada, fingimos ser quem não somos para agradar os outros ao invés de estarmos acreditando na mudança interna, no auto aprendizado seguido do aprendizado científico.
 De que adianta todo o conhecimento cientifico se eles servem para criar bomba, desigualdade e brigas políticas para se conseguir bens materiais e poder? De que adianta um argumento logicamente construído para ganhar um debate insignificante para os muitos que morrem injustamente? De que adianta todo o conhecimento político se as pessoas precisam mudar sua visão do que é favorável a todos ao invés de excluir todos os outros 49% que não votaram no candidato? De que adianta ter a razão se ela não serve para nos fazer conhecer? De que serve a Filosofia se ela se esconde nela mesma em meio a livros e se esquece de como nasceu? De que serve as sensações empíricas se elas se mantêm guardadas no fundo do homem a ponto de todos se tornarem infelizes e iguais? 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Desabafo XV: da nobreza de se morrer injustamente


Esse desabafo é um dentre dezenas de desabafos que compõe o livro Desabafos de minha autoria. Livro esse que trata de um movimento literário de desabafos cotidianos que costumo dizer que faz parte do Depressionismo¹. Tal texto têm como conteúdo as formas das injustiças passadas e cotidianas, ainda em produção e liberado apenas uma parte experimental do todo que é o Desabafo. Ainda cru, sendo construído a cada dia, o Desabafo da nobreza de se morrer injustamente, conta como nós estamos acostumados a acreditar na ideia de justiça proposta pelos ‘donos da verdade universal’, condicionados as suas éticas que só serve como dominação quando igualam o roubo de alguém por passar fome ao roubo de (des)governantes que roubam para manter seu luxo. Somos impedidos de ter uma morte honrosa, já que nossas vontades de consumo ultrapassou a nossa vontade de autoconhecimento. Em um mundo de consumistas, onde o que se têm determina seu grau de felicidade, onde o conhecimento se prende aos intelectuais e tais intelectuais, muitos desmotivados pelas injustiças e outros motivados a manter o grau da injustiça, se prendem e se limitam em suas línguas e se trancam em um mundo intrapessoal. Um mundo onde o conhecimento é cercado e impedido de chegar as grandes massas e que romantizam a ignorância do povo a ponto de acreditar que viver cego é melhor do que viver com sabedoria e harmonia, já que temem a revolução e o medo da morte e de perder suas conquistas é mais forte do que querer mudar o mundo para as próximas gerações. Onde Deuses da Injustiça comandam uma nação e a liberdade de tirania se faz presente quando o assunto é trabalho e emprego. O mundo descartável, onde descartam tanto plástico quanto amores, o mundo falho onde evitam o pedido de desculpa para manter o orgulho, o mundo depressivo onde cada vez mais nos tornamos sozinhos e tristes para manter a liquidez que se tornou os tempos atuais. Depois de tudo que se estudou, depois de tudo que sabemos, é melhor morrer de forma injusta do que continuar calado perante a injustiça cotidiana.

Desabafo XV: da nobreza de se morrer injustamente

   Na véspera de sua morte, Sócrates, ao ser indagado pela esposa sobre a injustiça que foi a sua pena de morte, responde: 'Você preferiria que fosse justo?', mostra o qual preparado estava o psicológico do patrono da filosofia ocidental à cerca da morte pela injustiça. Jesus ao ser crucificado, no conto da bíblia apela à Deus com a frase: 'Perdoe-os pai, eles não sabem o que fazem', também é um ato de nobreza do injustiçado morrendo através da injustiça, Hipátia por sua vez morre condenada injustamente por um povo ignorante que daria início à uma caçada contra o pensamento crítico, queimando escritos e destruindo todo o conhecimento adquirido pelas mentes mais brilhantes que já havia existido antes do fogo ter atingido propositalmente a biblioteca de Alexandria.
 Vivemos tempos de injustiça no Brasil onde, o foco é apenas para tipos específicos de pessoas, as minorias periféricas. Me refiro ao povo que em suas ruas, casas, lares... banhadas de sangue inocente a cada dia, crianças, mulheres grávidas, jovens... todos mortos por culpa da sociedade como um todo, isso não nos salva da culpa, pois quando digo sociedade como um todo, incluo a mim e a você leitor, que sem nos aperceber, somos culpados de sustentar uma rede de injustiça em silêncio para manter um determinado conforto perante ao sistema que nos foi imposto desde o momento em que nascemos, fora a nós, existem os que apoiam a injustiça de maneira cega, acreditando que todo o mal provém daqueles que são e/ou pensam diferentes, os que não aceitam as retratações dos injustos ou até mesmo praticam a injustiça para subir um pouco no sistema de ‘cadeia alimentar’ social, onde o ‘maior come o menor’, estando assim mais confortáveis em uma posição insignificante perante a todo sistema injusto que sustentamos com nosso suor e esforço. Saber dessa realidade me faz repensar se é o mesmo foco de injustiça aplicada desde os tempos de colonização, já que falo como brasileiro, mestiço, e que carrego em mim o sangue da mistura de pretos, indígenas, brancos e tantos outros sangues misturados que se torna impossível saber completamente minha arvore genealógica. A mistura se tornou comum depois da época contemporânea, depois das perguntas filosóficas; ‘negros têm ou não têm alma’ e ‘índios têm ou não têm alma’.
 Essa dominação veio antes da colonização brasileira, porém me apego mais ao fato da colonização, já que antes do homem branco pisar nessas terras trazendo todas as doenças, misérias e desgraças do seu ‘antigo mundo’ para um ‘novo mundo’, adoeceu a terra e expurgou Deuses, cultura, linguagens causando um genocídio em massa de povos e cultura. O exemplo dos Indígenas, donos verdadeiros do solo que pisamos, mortos injustamente nos tempos da colonização por doenças e que hoje em dia, sofrem com a morte cotidiana de pessoas de seu povo por pessoas que acreditam ser mais ‘evoluídas’ como aconteceu no passado. Passado esse que destruiu culturas, deuses e desvirtuou o pensamento de um povo que amava a natureza e vivia em harmonia com a mesma durante milênios, levando assim junto com eles um pedaço importante de sua história. Lembro do caso do Cacique que foi morto queimado por filhos de advogados e policiais, e pessoas que por sua vez trabalham e estavam prestes a se formar para trabalhar em órgãos relacionados à justiça. Os jovens responsáveis pelo crime continuam soltos com a seguinte desculpa aos órgãos de justiça: ‘pensei que fosse um mendigo’. Eles não pagaram pelos crimes e seguem libertos após matar um líder espiritual de uma aldeia indígena. Ou o exemplo do filho do megaempresário Eike Batista, o Thor Batista, que matou um homem negro atropelado, dirigindo bêbado, continua solto usufruindo de seu privilégio como mais um do topo da cadeia alimentar social que segue se aproveitando da falta de justiça do país, ou o filho de uma desembargadora que foi pego com quilos de drogas ilícitas e armamentos pesados e foi liberado pela justiça enquanto o Rafael Braga, homem negro e pobre, foi preso por portar uma garrafa de pinho sol, ou até mesmo Estamira, estrela de um documentário que ganhou diversos prêmios ao redor do mundo e com a ignorância do seu próprio povo, foi tratada como uma pessoa qualquer, não que ela quisesse ser tratada como rainha, mas sabia de seu desfecho, sabia que não seria bem tratada próximo a sua morte, têm em seu atestado de óbito falência múltipla dos órgãos e a sua família alega negligência médica, o que não duvido, já que ela era mulher, negra, relatada com problemas psicológicos e catadora de lixo. É incrível ver que um homem que rouba três galinhas para se alimentar e alimentar a família é preso enquanto políticos roubam dinheiro da nação estão soltos até hoje, uns morre sem receber seu devido respaldo, sem receber punição pelas suas injustiças, defendidos por aqueles que defendem o direito e defendem a inocência até que se prove ao contrário. Nunca gostei de advogados, a maioria deles não passam de calhordas, mentirosos que possui a responsabilidade de deixar criminosos soltos enquanto prende inocentes com ajuda de Juízes que já se mostraram com poder absoluto. Costumo dizer que o único poder que um Juiz não tem, é o de vencer a morte, já que foi comprovado, com o caso da guarda de trânsito que multou um Juiz por estacionar o carro em local não permitido, tal Juiz perguntou: ‘Sabe quem eu sou? Sou um Juiz’ a guarda de trânsito diz; ‘O senhor é Juiz e não Deus’ e o juiz a processou e ganhou o caso, comprovando assim que Juiz no Brasil é Deus. Deuses da Injustiça que vestem sua capa preta para dar sentenças injustas à ralé e assim proteger os verdadeiros bandidos que cercam esse país. Chegamos ao cúmulo da injustiça e da falta de vergonha na cara em que os donos da verdade e do poder quase absoluto pode fazer o que quer, são reis disfarçados e hoje, anseiam para que a pena de morte seja imposta, com a desculpa de que as cadeias estão cheias, já que mortos não comentam sobre as injustiças que sofreu pelos tão poderosos Deuses da Injustiça, seria mais fácil julgar todos os pobres à morte do que exercer o seu trabalho como Juiz.
  Os negros, quando retirados de seus continentes, mortos injustamente nas travessias das navegações de navios negreiros, onde cerca de trinta a cinquenta por cento chegavam vivos no ‘novo mundo’, lugar apelidado por aqueles que acreditavam e que ainda acreditam ser portadores da verdade universal, dominadores e destruidores do mundo, e que onde toca gera miséria, discórdia e desigualdade como sempre fez e como sempre fará ao longo de anos. A predominação do homem branco-europeu, possuidor de seus privilégios e responsável por tanto sangue derramado, hoje acredita fielmente que os negros venderam os próprios negros sabendo da forma de servidão europeia usando como desculpa para seus feitos, vitimando-se a ponto de acreditar que não foi culpa deles os extermínios que causaram. A servidão dos negros na África era completamente diferente da servidão europeia. Eles possuíam terras, casa, tempo de trabalho, a servidão europeia era uma servidão que carregava consigo a miséria, fome, torturas. O Europeu enganou os negros para leva-los ao ‘novo mundo’ e cometendo assim extermínio de diversas raças, destruição de ecossistemas para enfeitar as coroas de suas altezas. Destruíram dois continentes, diversos povos e impérios em nome de sua ganância, descobriu um novo continente para explorar e até hoje continua a destruir tudo, acoplando à sua cultura podre de dominação e implementando cada vez mais a cultura do povo destruído para eles mesmos no seu dia a dia, como uma espécie de adereço. Por isso que se falam muito em apropriação cultural, o ato de roubar parte da cultura para si e desvirtuar a historicidade dos adereços em nome da estética ocidental. Embranqueceram Jesus, roubaram o uso dos turbantes, roubaram as artes e os sons. Se parar para resumir, nenhuma cultura de tais dominadores existe, foram apropriações ao longo de toda a história. Usando o nome de um Deus que presava e andava com os miseráveis e com os injustiçados como forma de dominação, pregando assim a miséria e a injustiça, roubando a história, as tradições e catequisando todos aqueles que não acreditavam no Deus branco de olhos azuis e de cabelo lizo modificado estrategicamente para parecer que os brancos eram superiores por vontade de Deus. Seja com os nascidos na África, seja nascido na América, seja nascido na Índia, a tradição europeia absorve o que vê e reporia dando assim uma ‘cara nova’ para uma cultura ‘herege’ que destrói outras culturas e que não segue as doutrinas do próprio Deus que se diz seguir.
  Atualmente, com a globalização, as culturas Asiáticas estão sendo implementadas e modificadas para melhor servir aos ocidentais, suas religiões, suas culturas, suas culinárias. Meditação hoje é usada para impulsionar o mercado, já que escravo feliz produz melhor. Repetem mantras, fingem acreditar na paz para então assim abaixar a cabeça para os dominadores ocidentais. A Índia, berço de uma cultura completamente rica, está perdendo sua cultura em nome da globalização, para a entrada do capitalismo selvagem. Seus Deuses hoje são nome de ácidos usado de forma recreativa em eventos de músicas criadas por programas de computadores ocidentais, que no fundo é uma mistura de ritmo de outras culturas dominadas por eles. Nossas tecnologias são marcadas pela injustiça, todas construídas por fruto de trabalho escravo contemporâneo para fortalecimento da economia mundial. Os drogados com nome de Deuses recreativamente se dizem ter entrado em contato com Deus, uns até ousam em dizer que a experiência é esclarecedora, mas não deixo de pensar que tudo não passa de alucinações provinda de tal droga. Outros usam chás alucinógenos e mantras para pregar a paz, porém usam seu nome de guru para extorquir ou até mesmo abusar sexualmente das pessoas.
 Ao longo do tempo, com a junção dos povos indígenas e os povos negros, na américa surgem uma das servidões mais injustas do planeta. A ponto de sustentar muito luxo com o sangue dos negros e indígenas. Líderes Espirituais, Reis e Rainhas, aprisionados à servidão para sustentar o luxo e as vontades dos dominadores. Teimam em dizer que a escravidão já acabou e para que esqueçamos o que aconteceu, já que para eles é fácil, não foi o povo dele que foi dominado, destruído, desumanizado, catequizado, desinstruído e largado à miséria para que morresse toda uma raça de fome e de doenças e ao ver que não aconteceria tal expurgo, impõe-se a existência do ‘pardo’ na cabeça das pessoas descendentes de pretos e indígenas para acontecer um clareamento da sociedade. Dos nomes indígenas e africanos sobraram poucos graças a esse plano de tornar branco quem não é e retirando assim o orgulho de um povo e que segue hoje em dia, observando o orgulho que as pessoas têm de dizer seu sobrenome de descendência europeia com um sorriso de orelha a orelha. Nem eles se dão conta de que com a revolução industrial, os escravos não foram libertos pela bondade do Império, foi por pressão pós Revolução Francesa, Iluminismo e a chegada forte da Burguesia, que ao ganhar um potencial grande teve uma ideia ‘brilhante’ de destruir o planeta em troca de dinheiro. A ganância tomou posse do mundo e o mercado foi instituído como o dono do mundo. Com isso, as tentativas de embranquecer o povo negro foram desde prender sem motivo, aliás, existia motivo, se chamava vagabundagem, para morrer na cela e até mesmo deixar ao relento e com fome. Os indígenas, que foram catequisados para que esquecessem suas raízes, Deuses e sua personalidade perdendo assim sua cultura, sua língua, seus Deuses e que hoje em dia se resumem a vender arco e flecha de brinquedo nas cidades de pedra para conseguir uns pedaços de ferro que até 600 anos atrás, não sabiam da doença de espírito chama ganância, vinda com a cultura europeia. Os moldes da Europa, foi imposto no nosso país e continua sendo imposto pela educação, para dar a sequência ao plano de dominação econômica educacional e então, a abolição chega, hoje tratada como uma vitória por aqueles que não querem enxergar, respaldada aos moldes de educação que temos para a criação de escravos de forma inconsciente. Sendo assim se forma uma educação limitada para manter a escravidão com nomes diferentes; servidor, trabalhador, trabalhadores indiretos. Muitos ainda dizem que a escravidão acabou e foi abolida, tratam como uma vitória, mas a escravidão nunca acabou, ela mudou de nome e dessa vez, não se diferencia mais cores, não diferencia mais credos. A abolição da escravatura não passa do direito do branco se tornar escravo também. Podemos chamar isso de justiça? É justo manter pretos, brancos, índios, asiáticos, indianos como escravos, todos de mãos dadas para manter o padrão de vida caro dos donos das grandes empresas?
  Para que o branco entrasse no atual sistema escravocrata implementado pelos burgueses detentores da hegemonia financeira, eles tiveram que adequar para que eles não se sentissem tão escravos quanto os escravos, então, o nome mudou para trabalhador e logo após a corrente mudou para carteira de trabalho e a tortura física pela psicológica, como as frases que são repetidas para lembrar de sua miséria e o que você fará quando perder o emprego, mesmo que esteja sendo extorquido seu horário de trabalho ou até mesmo usando de seu poder como superior para implementar a sua vontade de dominação, chegando ao ponto de obrigar o sexo em troca da sua estadia no emprego, são esses exemplos; ‘quer ser demitido?’, ‘A fila para esse emprego está cheia’.
  Os indígenas, sem portar educação ocidental, os negros também sem portar educação ocidental tiveram que se virar para se ressocializar e se reestruturar para entrar nesse atual sistema escravocrata que venderam como uma maravilha de servidão, sabendo assim que as vagas seriam preenchidas por brancos em tudo, escola, trabalhos, hospitais, e ali, tiveram que lidar com a desigualdade. O extermínio foi tanto, que os tratamentos dos negros nos hospitais eram a base de desmembramento. Cortes ou furos eram encaminhados para a amputação. Hoje, esse descaso ainda existe, como o de um garoto, pobre que conheci que foi mordido por um cachorro na rua e tomou uma injeção de antitetânica. Aliás, para os negros tudo, em questão de saúde, se resolve na antitetânica.
  É impossível não notar e não ver algo tão escancarado quanto a injustiça cometida pelos dominadores e pelos que se dizem ter feito uma revolução ao tirar um tirano de cada país e colocar centenas de tiranos em cada país. Uns até tiranizam além dos limites de sua fronteira. O mercado é injusto na mesma proporção que a justiça é injusta. Não conseguimos mais confiar nos detentores das leis, criadas deles para eles mesmos, onde a constituição, ao exemplo do Brasil não se passa de um conto ou fábula. Nos obrigam a obedecer às leis que eles querem que obedeçamos, porém, eles não obedecem às leis.
 Com o respaldo e ajuda dos estudantes de Filosofia que se sentem no direito de se acharem filósofos, que vivem falando que roubar uma galinha para se alimentar é a mesma coisa que um político que desvia dez milhões de reais em merenda escolar, quinze milhões de reais dos remédios. Teimam em dizer que a corrupção vem de baixo para cima para que nós, povo, nos sentamos culpados por sentir a vontade de roubar algo para comer. Protegendo assim nós, deles. Jogam alimentos fora para não ter que vender por mais barato, não estão preocupados com a saúde de sua própria raça, envenenam nossa comida, nossa bebida, nunca se teve tanto câncer quanto hoje em dia. Nossas vidas são entregues para criadores de doenças e vendedores de remédios que lucra ao envenenar e lucram com o antídoto ao mesmo tempo.
  A profissionalização dos filhos dos ricos é paga pela população enquanto a população paga sua profissionalização e a do rico através dos impostos. Isso mudou depois da entrada das cotas, porém, não foi muito aceito pelos injustos que acreditam que isso é um favor que o governo está nos dando. Os ricos entrando para as Universidades Federais, que é sustentada em sua grande maioria pela classe mais pobre e o pobre pagando nos impostos a faculdade dos ricos e até sem direito fazer uma faculdade. Os que tentam terá que pagar parcelas as vezes até três vezes maior do que o seu salário. Equivale isso ao preto, que mesmo sabendo que sua vaga de trabalho é sempre difícil, devido ao racismo e o plano de embranquecer a sociedade, por sua vez se vê longe da possibilidade de se formar em um estudo ocidental. Apenas depois da implementação das cotas nas universidades, por um motivo de retratação do País pelas injustiças praticadas ao longo de sua história, e pela qual eu pude entrar em uma usando esse sistema de cota, nos faz relembrar a nossa tradição e os tempos de injustiça que nossos antepassados passaram e o tempo atual não é diferente, a injustiça ainda existe, e sempre defendida por aqueles que pregam a soberania ética e se esconde atrás de um Deus falso moldado a sua imagem e semelhança tornando assim, mais um falso profeta onde o livro sagrado se torna a lei superior, esquecendo o conceito de estado laico. Usam seu Deus moldado a sua imagem e semelhança como chicote e tentam punir os que não acreditam em sua crença, mesmo esse Deus pregando a paz entre os povos.
 Tendo em vista de que os europeus conseguiram a dominação ocidental mediante a injustiça me vem uma pergunta; será que é nada é mais nobre do que morrer pela injustiça?
 Antes, precisamos identificar o que é justiça, algo que os debates filosóficos até hoje não conseguiram definir. Porém eu entendo que a definição de justiça é algo como a definição de felicidade e a de liberdade. É um sonho utópico acreditar que a Justiça é feita plenamente e sem erro. O dito popular de que a Justiça tarda, mas não falha ou a justiça vêm a cavalo não me satisfaz. Sempre lutamos pela justiça, até mesmo quando não sabemos o que possa ser justo ou não para determinado momento, mas, ainda assim não me convenço de que a Justiça possa ser feita de maneira correta ou igualitária, acredito que exista retratação para seu erro e não um ato justo ou a aplicação da justiça. Até por que não se tem como ser completamente justo após a injustiça ser cometida a você. Então, é aí que entram os diversos problemas. Já que outras pessoas não saberão o que é justo para você, assim como seu grau de exigência de justiça pesa, ao ponto de querer vingança e a exigência de justiça de terceiros. Os advogados ou promotores, não chegam perto do que possa ser justo. Ao final, não existe justiça, existe retratação ao ato injusto. Isso faz perceber que, a justiça não existe, porém, a injustiça existe, já que ao sofrer determinado ato, tratamos como injusto ou não mediante as nossas concepções de justiça. Não conseguimos dar a retratação exata ao peso do ato ocorrido. Muito nos baseamos em olho por olho, a injustiça sempre beira a nossa volta quando pensamos assim.
  Dos atos injustos, ao ser praticado, cabe a nós recebe-lo e atentar a forma mais racional de lidar com tais atos. Sabemos que a injustiça toma conta de tudo de tal forma que nos cega perante as retratações e nos faz cada vez mais intolerantes aos erros dos outros e esquecemos os erros que cometemos. Ninguém nunca vai ser de todo justo. Sempre cometeremos erros por conta de nossas liberdades, mas cabe a nós, notar o próprio ato injusto e retratar para que ele não seja uma brecha para que o outro não pratique ato de injustiça como forma de vingança.

 É preciso muita paz interior para encarar a morte como uma amiga, ainda mais em tempos de injustiça, a morte que promete vir a todo instante, aparece de surpresa uma vez e mesmo sabendo ser a última vez, te visitará nesse corpo e te levará com ela. As formas de recebe-la são peculiares. Você pode abraça-la e aceitar sua condição ou pode recusar e recebe-la forçadamente.
 Nos tempos de hoje, me faz refletir: Todos estão preparados para morrer ou a sua preocupação individual vale mais que o destino da nação que todos presam. Estão todos preparados para morrer pela paz ou é só falácias e argumentos para demonstrar quem você realmente não é e simular de que está preparado para o sono eterno.
 Sinto que, cada dia estamos mais próximos dos momentos em que mais morrerá pessoas inocentes. O fascismo bate à porta dos brasileiros e todos estão o deixando entrar. Posso dizer que pode ser sim um mal necessário como pode não o ser. Isso depende das próximas gerações, os que não necessariamente compactuariam com os erros cometidos por nós. 
 Mediante as trocas da importância da vida dos seres de sua própria espécie ou de outra, para a importância dos objetos. Nos tornamos pessoas vidradas no consumismo e nas objetificações, relacionamentos líquidos e narcisista. Tudo isso nos torna despreparados para morrer. Nos prende aos objetos e ao mundo terreno de tal forma que a morte é temida não por ser a morte e sim por não usufruir de suas conquistas mundanas objetificadas. Seria, assim, os objetos os precursores de nossa falta de vontade de morrer ou é só o nosso instinto de sobrevivência falando? 
  Não creio que todos estejam relacionados, apenas com os objetos, mas sim com as objetificações. Objetificam o amor, a amizade, o carinho, o rancor... como se fosse aquele pedaço de pedra que brilha em uma tonalidade amarela que foi roubado de vários continentes para saciar a vontade daqueles que ao temer a morte, mantinha todos seus súditos e suas mãos, porém, não adiantou de muito, já que alguns nobres morreram pelas mãos dos próprios súditos. O ouro, a prata, o diamante.... Todas essas riquezas que os humanos acreditam ser riquezas, mas não passam de pedras e metais, dão seus devidos valores pela raridade ao se encontrar no planeta onde nos situamos atualmente, são muitos deles, alvo de cobiça por aqueles que se prenderiam à terra e evitariam o máximo que puder a sua morte, por medo de não usufruir das suas conquistas ilusórias do mundo pós-contemporâneo. Deprimente!
  Se ao final de nossas vidas, pensamos estar na beira de um caos interno, creio que o melhor a se pensar é: ‘valeu a pena ter vivido tudo isso. ’ Não digo agradecer a Deus, e sim ter em seu interior que o que fez foi em nome do que você acreditou ser necessário se fazer, tudo que usufruiu, suas dores, seus sofrimentos, seus amores e todos os seus atos foram importantes para o seu desenvolvimento como pessoa. Ser sem arrependimentos, não significa a pintura moldada da pessoa que não se propõe a mudar seus atos injustos, mas sim saber que ao ato de se cometer uma injustiça, pode ser o estopim para a mudança interna, saber que você fez tal ato e que não se arrepende de ter feito não significa que você vai repeti-lo e sim que sabe o que fez e evitará de fazer futuramente, já que seus atos influenciam em quem irá se tornar tão quanto os atos de outras pessoas influenciam quem você vai se tornar, assim mudamos quem somos e nos tornamos maduros com o passado. Claro, isso se você for uma pessoa que possui humildade e empatia, coisa que falta no mundo atual. Fazer com que você receba a morte de forma amigável é saber que sua vida valeu a pena ser vivida. Ser quem você é, retirar as máscaras e lutar contra a injustiça mesmo que se reflita em sua morte é ter uma morte honrosa. Precisamos aprender a morrer a cima de tudo. Porém o que nos ensinam nas Escolas e nas Universidades é aprender a ganhar dinheiro para continuar a vida medíocre de gastos e manutenção do sistema atual que só mata e destrói tudo o que vê pela frente. Não sabemos lidar conosco, com a natureza, poderíamos saber, se as invasões europeias não fossem tão cruéis, se não tacassem fogo na biblioteca de Alexandria, se déssemos ouvidos à Estamira enquanto vivia, se evitássemos esse aperto no coração ao evitar dizer que ama alguém por medo de não ser correspondido de acordo com as doutrinas imposta de relacionamentos monogâmicos. Nos limitamos como pessoas todos os dias por dominação dos poderosos, evitamos de dizer o que queremos para quem queremos, nos tornamos cada vez mais líquidos, impedimos nossas vontades e nos torturamos com arrependimentos desnecessários. Já que nenhuma das nossas “revoluções” deu-se a importância da comunhão dos homens, animais, plantas, organização de espaços, demarcações, sustentabilidade. Nos tornamos cada vez mais depressivos, usamos remédios para impedir nossas tristezas, que são essenciais para a construção de uma pessoa, evitamos de que as crianças andem descalços, caiam de uma arvore, nos tornamos protetores de mais, argumentamos que nossos descendentes de sangue são mais importantes, continuamos disputando entre nós como o “exemplo da natureza do mais forte” de forma ressignificada, temos uma percepção de mundo completamente desvirtuada e injusta. A justiça nesse mundo não existe e morrer de forma injusta é a melhor forma de se morrer nos tempos atuais. Mediante a toda tirania imposta nos tempos de hoje, esse texto serve para dizer que não me calarei perante as injustiças do mundo. Se desejar minha morte, não desejarei o mesmo, desejarei a sua vida, já que no mundo injusto que vivemos, é mais justo morrer pelo que acredita do que viver calado para satisfazer o ego dos agentes da injustiça. Mate-me enquanto é tempo, pois não me calarei perante suas ordens e não me esconderei e te garanto, eu estou mais pronto para morrer do que todos os que me perseguirão nos tempos que estão por vir.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Das Linguagens


 Uma das formas de se conhecer, parcialmente, o mundo em que vivemos é a Linguagem. Nela, encontramos aspectos necessários para que haja a comunicação. Mas, será mesmo que a linguagem consegue nos fazer entender? Os erros à cerca do que conhecemos nas linguagens pode nos proporcionar uma absorção do conhecimento de forma errada ao que nos foi passada? Quando dizemos que nossos pensamentos estão organizados, o uso das palavras estão lá, de modo que nos permite uma forma de raciocínio mais clara, mas será mesmo que a linguagem consegue acompanhar nossa forma de pensar?
 Em meio a tantas perguntas à cerca da linguagem, o mundo que conhecemos nos parece claro, porém, dizemos que tal forma de conhecimento mais claro, ao meu ver, se dá apenas aos conhecimentos do que conhecemos como “objetos” como conceito básico de um livro, um prato, uma cadeira... Os animais, elefante, girafa... são mais claros por se tratarem de elementos contido no mundo com o acesso à nossa visão, audição, paladar, tato e olfato. Ao experienciar contato com tais objetos ou animais, sabemos diferenciar uma girafa de um elefante. Claro, nem sempre precisamos conhecer fisicamente para saber que a girafa se difere do elefante, já que nos livros didáticos, atlas e até mesmo a internet hoje em dia nos mostra os arquétipos de tais seres. Porém, não deixa de ser os nossos sentidos, os captadores de tais arquétipos. Claro que para que saibamos das coisas através das pesquisas, precisamos de um contato com a linguagem.
 A linguagem facilita a comunicação de forma geral, nos dando as ferramentas importantes para conseguirmos demonstrar aquilo que queremos passar para que as outras pessoas, que ao usar tais linguagens semelhantes, entendam e possam assim identificar o que foi dito. O uso da linguagem é pré-estabelecido de acordo com o local onde nascemos e/ou vivemos. No meu caso, por exemplo, nasci no país Brasil onde a língua materna é o Português, dentro de tal país, nasci no Rio de Janeiro, que por sua vez, possui um jeito peculiar de fala contendo chiados ao pronunciar o signo “Z” e dentro do estado do Rio de Janeiro, nasci em São Gonçalo, onde muitos objetos possuem nomes diferentes até mesmo de suas cidades vizinhas, Rio de Janeiro e Niterói. Um exemplo é a Pipa, nacionalmente conhecida, porém em São Gonçalo se chamaria Cafifa. A diferença também chega as outras partes do mesmo país, porém tais objetos não dificultam a comunicação, por se tratarem de objetos e a demonstração como; “Isso aqui, onde moro, se chama tangerina” e “Isso aqui, onde moro, se chama bergamota” de forma em que apontasse como demonstração do objeto citado faz com que entendamos essas diferenças no nome para objetos iguais.
 Como forma útil de comunicação, a linguagem nos faz entender quando tratamos sobre conceitos contido em uma forma, cor, cheiro, etc. Assim podemos identificar tal coisa como coisa tal. A partir da demonstração, das formas semelhantes e mesmo que tenha uma certa estranheza quando o nome do objeto ou ser é diferente em determinados locais, acabamos por final aceitando as diferenças dos mesmos. Porém, nem sempre tais formas de linguagem nos ajuda. Com a ajuda da lógica, podemos arquitetar as argumentações e conseguir transmitir de maneira clara e objetiva o que queremos demonstrar, isso se as argumentações possuem um grau de verdade nítido às nossas sensações empíricas. Nas matemáticas também, com a ajuda da lógica nos é dado os argumentos plausíveis para os acontecimentos, seja ele da natureza ou do que o homem manipulou, como resultado dos estudos da matemática e da lógica.
 Até aqui, entendemos que a Linguagem, que se difere entre; a forma de comunicação de um homem para o outro e forma de comunicação entre a natureza e o homem, isso é, aquilo que com o auxílio da matemática e da lógica nos revela em formato de ciência. Quando se trata da lógica com a matemática, obtemos resultados práticos e acessíveis para que possamos entender mais as funções do mundo. É composto por uma fórmula sólida em que não podemos relativizar. Ou P é Verdadeiro ou P é Falso. Agora, e a linguagem humana? Ela detém apenas esses valores de verdade? Pode-se dizer que sim em partes, quando os assuntos envolvem objetos concretos os valores de verdade são decisivos, porém, quando tratamos dos problemas internos envolvidos no “eu interior” ou “espírito”, conhecido por muitos, o campo da lógica não consegue ter uma efetividade. Conceitos como; Felicidade, Amor, Ódio e etc. são conceitos contido no nosso eu interno e que com as nossas experiências nos faz definir o que acreditamos ser tais sentimentos. Portanto, torna-se imprevisível. Em minha visão, nos torna humanos. Porém, nem tudo está obscuro. De uma forma que pareça ser um tanto quanto “religiosa” para uns, a expressão “Conheça-te a ti mesmo” que vêm de Platão, nunca fez tanto sentido quando dizemos que muitas das respostas não encontrada na lógica exista dentro de você, porém, não só dentro de ti como dentro de outras pessoas, por isso, é preciso o exercício da empatia.
 As divergências contidas nos debates calorosos de hoje são por falta de entendimento interno e de empatia. Vemos que as pessoas estão tão preocupadas em estarem certas que a linguagem nem sempre acompanham. Exemplos falhos, demonstrações falhas carregadas de juízo de valor cercam os debates que antes eram regrados pela lógica e pela retórica. Não discordo com Rousseau quando diz que na época dele os retóricos eram os donos do poder, assim como hoje são. Os detentores da argumentação em discurso lógico impecável e cheios de sentidos detêm a apresentação no palco principal. Mas nem sempre as pessoas em geral possuem argumentações boas em meio à um debate atual, dizendo ao quadro atual onde ideias não são debatidas em programas nacionais, os assuntos são diversos e o sentido do debate passa a ser um circo e deixa de ser aquele momento onde as propostas estão surgindo.
 Como falar de comunicação sem falar também da nova forma de expressão, que não é tão nova assim, mas hoje em dia surgiu como um jeito de se passar histórias, reflexões e até mesmo te arrancar uma boa risada do que os conhecidos “memes”. Que de uma forma didática e as vezes sem conter uma palavra, nos dá ideias e aguçam nosso mundo interno a ponto de nos dar reflexões sobre uma imagem malfeita, de péssimo gosto e péssima qualidade artística (quando pomos em comparação as belas artes). Nada mais é do que a humanização das graças e das desgraças da vida. Hoje em dia existe memes para tudo e acaba por ser uma forma de expressão e de comunicação tão grande que é usado para se propor um pensamento à cerca de muitas coisas, como problemas da sociedade e até mesmo mostrar que tal artista que parecia um Deus mediante as máquinas de rejuvenescimento (photoshop) é um ser humano quanto qualquer outro quando está sem maquiagem.
 Nunca se leu tanto quanto essa geração, o acesso a informação está em um piscar de olhos. Temos maquinas com signos em botões que nos dá acesso a uma rede de internet que mais parece um Atlas ao pensamento dos antigos, tudo é escrito e documentado nessa rede, a Internet. Quando falo tudo, é tudo mesmo, até as mentiras. Nunca fomos tão alvos das Fake News. Nunca teve tantas formas de se enganar um povo, o mercado acessando informação que o povo quer e transformando nas bases de linguagens para que possa nos passar uma propaganda em redes sociais para dali te fazer querer comprar aquilo que não quer. As propagadas desse mundo, usa a forma de linguagem matemática e lógica para que tal propaganda apareça em meio a tudo. Tal venda de informações faz com que aquilo que compramos no cartão de crédito, fique durante 7 dias em média aparecendo como propaganda em meio às suas pesquisas.
 A linguagem configura o mundo. Ela está presente em tudo, Política, Ciência, Mercado, dia a dia do Trabalhador e dela se tira informações da população assim como informações do mundo. O método de linguagem é muito útil, mas não é tanto, a partir do momento em que o seu eu interior possui funções e definições diferentes quando o assunto são as partes não física do que se quer comunicar. Apenas sabemos em parte as coisas que o mundo nos oferece para conhecer, podemos etiquetar todos os objetos, mas enquanto existir a forma de pensar e de sentir as coisas da forma que sentimos, nunca saberemos o que é o Bem em sua essência, a Felicidade em sua essência.
 As visões diferentes que possuímos de mundo, os sonhos que por mais semelhantes que sejam, são completamente diferentes, a nossa historicidade, as nossas experiências absorvidas dos sentidos e transformados em conhecimento nos dá a falha nos argumentos lógicos quando tentamos nos comunicar ao usar juízos de valores para decidir o que é bom ou não, o que é honesto, o que é justo. As diferenças do nosso modo de viver nos dão uma forma de se conhecer algo, a linguagem nos faz tentar expressar o que conhecemos de maneira simples, os sentimentos nos diferenciam e por fim, não conseguimos nos comunicar com precisão.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

É fácil reclamar







Mediante aos incêndios no Museu Nacional e na Biblioteca, abre-se uma questão que creio eu, poucos se perguntariam. Afinal, a culpa do descaso público é apenas dos governantes ou a culpa é nossa, em geral?


 Sabe-se que de todas as formas, nós, brasileiros, não somos ativos politicamente, a não ser nas redes sociais, já que é mais fácil compartilhar e comentar alguma coisa do que levantar da cadeira confortável e agir. Porém, qual é o nosso grau de responsabilidade na crise sistemática que vivemos?


 Somos reféns em um sistema "democrático" falho e contraditório. Não creio que as eleições dão o resultado exato das eleições. Porém, permanecemos em silêncio para se sentir melhor, já que a política inicializada por César, pão e circo, funciona no Brasil até hoje. Acredito que a menos que deixemos de ser tão incompetentes em sentido de revolução, não mudaremos nada. As escolas sucateadas, o sistema político repleto de corrupção e cá entre nós, brasileiro não entende nada de política. É demostrado com clareza quando se diz: 'política não se discute' e quando se discute, prevalece as falácias e a pirraça. As falacias, claro, está presente no mundo, porém a pirraça, só o brasileiro têm.
 O fato de querer estar com a razão e crer estar certo sobre todas as coisas. Confundem um debate com uma conversa de churrasco, parece até que o fato de quem fala mais alto, ganha o argumento. Como um: 'Lalalá Brizola'. Definitivamente, não sabemos, enquanto cidadãos, os direitos e deveres que temos. Claro, isso foi por culpa de nossa história, que durante toda a nossa vida, as grandes mudanças foram geridas por quem detêm o poder. Independência, República, Golpe Militar, Democratização. Sempre fomos, como uma nação, condenada à seguir as 'revoluções' proposta pelos governantes e nem se quer paramos para analisar sobre o que estamos 'lutando'. Ao modo em que se acontece a 'revolução' a população não assume a responsabilidade de ter apoiado cegamente o modo proposto pelo 'herói' que aparece em uma tela de celular, desferindo pela internet, discursos falhos, cheios de contradições e ódio.
 Porém é muito fácil reclamar. Reclamar que o sistema não funciona, que a educação não funciona e que nada funciona nesse nosso 'querido' país. Porém, não se diz muito na responsabilidade que a população exerce ao acreditar e decidir apoiar tais golpes contra eles mesmos. Temos total responsabilidade com os incêndios que aconteceram recentemente, tanto quanto as responsabilidade na falta de segurança, na educação, na saúde. Permanecemos mudos e em silêncio quando diz respeito a ação popular ao descaso da crise política. Da falta de vergonha na cara que nos coloca nesse mundo destrutivo. Quando se referiam ao Gigante que acordou, eu dizia que ele bocejou, já que a população não sabe nem se quer o poder que ela têm. Pois se soubesse, muitas coisas não estariam acontecendo. Da mesma forma, nos vemos com medo por encarar uma polícia armada que defende obrigatoriamente os comandantes do Estado. Tal medo, nos mantém controlados, sendo que, a população, se em sua grande maioria, ganhar não só as ruas e invadir ambientes infectados por essa crise e resolvesse reestruturar tudo, poderia em suma resolver boa parte dos problemas atuais.
 Seguimos acreditando ser governados mas estando completamente desgovernados. Pensamos que os retóricos, segundo Rousseau, são os salvadores da pátria e resolverá todos os problemas nos próximos quatro anos de mandato. Não precisamos de quatro ano de mandato e sim de uma revolução. O Brasil clama por uma a mais de quinhentos anos, e não as revoluções fajutas. Guiadas por políticos, imperadores ou militares e sim do povo para o povo. Precisamos de cinquenta anos de revolução, mudança total do estado, redefinir marcações de terras, redefinir leis, redefinir escola, redefinir a forma que é tratada a saúde e redefinir a segurança.
 Precisaria evoluir muito para garantir um bem estar social. A nação não precisa de um candidato que diz fazer isso ou aquilo para no final não mudar nada. A população brasileira precisa de uma Revolução Brasileira e não apenas política. Tudo está em uma forma cíclica, começamos discutir em uma coisa e terminamos em outra. Todos fazem parte de um mesmo tudo. A educação forma seres ignorantes e sem um pingo de respeito para com o próximo. Em seguida forma-se médicos que apenas se importam com dinheiro. Posteriormente, cria-se a segurança para proteger quem detém poder. Sendo assim, a corrupção no Brasil passa a ser a coisa mais fácil de se fazer. Isso é porque estou falando por alto.
 A população é completamente conivente com os descasos governamentais, com a corrupção, golpes... Não assumir lado é assumir lado. E muitas vezes é pior do que assumir determinados lados. Se não nos entendermos como população, cada vez mais é fácil nos roubar. Acreditar que política não se discute é ser conivente com a injustiça implementada pelos detentores de representatividade da população, mesmo que não os represente.
 Temos então uma população pacífica, desunida, de uma maneira fragmentada, desacreditada e enganada durante toda a sua existência. Seguimos criando memes, conferindo curtidas de redes sociais e preocupados se somos ou não respeitados. Criamos depressivos, desacreditados e em suma muitos desonestos, seja para com outra pessoa quanto para ela mesma. Todavia, acreditar e se acostumar com um bom lugar, ser dominado pela própria comida, nos torna tanto refém do sistema que sustentamos quanto conivente com as injustiças. Você, eu, todos somos responsáveis pelo fogo do museu, pelo fogo da biblioteca, pelo prédio que caiu, pelo fogo na boate, pela 'ponte que partiu' e pelo atual sistema nacional.
 Em suma, não faremos nenhuma revolução por medo de morrer, tal medo de morrer é mais eficiente do que algemas para se prender alguém no sistema. Vivemos isso hoje e o pior é o fato de sermos culpados por não lutar contra os poucos que destroem o que temos de mais precioso, nossas vidas.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Estamira

Seria Estamira um dos nomes cínicos da filosofia contemporânea?


http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/07/morre-estamira-personagem-titulo-de-premiado-documentario-brasileiro.html

Relatório de Estágio I

RELATÓRIO DE ESTÁGIO I: Observação das aulas Alexander Augusto Santos Silva Pelotas, 2018. INTR...