RELATÓRIO
DE ESTÁGIO I:
Observação
das aulas
Alexander
Augusto Santos Silva
Pelotas,
2018.
INTRODUÇÃO
Este
relatório de estágio observatório precisaria de um conjunto de observações,
tomei a liberdade de fazer as observações no mesmo dia em que participaria das
aulas ministradas pelos colegas de classe, já que o intuito do meu relatório
era a diferenciação das aulas ministradas entre nós, universitários dentro de
um campus universitário e as aulas ministradas em uma escola pública. Assim, eu
poderia destacar as diferenças entre as exposições demarcando em si a expectativa
e a realidade entre a forma de aula em que um licenciando oferece para os seus
colegas de turma e a realidade do ambiente escolar. Não produzi esse texto para
criticar a forma em que meus colegas ministravam as aulas e sim a forma que nos
é passado um treinamento distinto da realidade factual de um ambiente escolar.
Destacando as principais diferenças entre ambas formas de apresentações aos
receptores das aulas. A análise do relatório referente à escola se encontra
cronologicamente nas observações das aulas e a diferenciação entre universidade
e escola se encontra no final do relatório. Destaco também a limitação na sala
de aula e o contexto do dia, questionamentos que me fiz em meio as aulas que
participei. Destaco que comparo com os tempos em que estudei e tentei comparar
ao máximo o que tinha mudado. Esse relatório não têm o intuito de encontrar o
que está errado ou não, apenas o meu pré-julgar por estar pela primeira vez na
posição de observador. Serve para que se reflitam tudo que foi apontado por mim
a cada palavra.
Não colocarei o nome da escola pois não posso expor a mesma
1.5
Analisar
Normal
notar que; Pelo PPP, algumas coisas que entram em contradição com a real
condição escolar, destacando por exemplo; quando se tratava em condição de
comunicação com os alunos por motivos de falta de estrutura e em relação aos
alunos e aos membros que os recebe na instituição. Já que o ventilador e as
salas próximas de uma via de tráfego intenso, tornava a aula impossível de ser
escutada?
2. OBSERVAÇÃO DAS AULAS
2.1
Aula 1 (23/11/2018): Primeiro Ano do Ensino Médio, Segundo Turno: Aplicação de
avaliação (prova) sobre Estética.
A
primeira aula foi uma avaliação para o primeiro ano do ensino médio. Primeira
ação da professora foi a chamada. Todos os alunos fizeram a avaliação e a
correção seria entregue na próxima aula que a professora teria com a turma, no
caso dia primeiro de Dezembro. Dentro da sala de aula se encontra os seguintes
objetos para o uso do professor e dos alunos; Quadro digital, dois ventiladores
grandes que saem da parede de onde fica o quadro e a professora, mesas e
cadeiras, televisor de Led, seis lâmpadas florescentes, chão de madeira, um
armário onde são guardados livros didáticos extras, uma lixeira e duas janelas
em direção à rua.
2.2
Aula 2 (23/11/2018): Terceiro Ano do Ensino Médio, Terceiro Turno: Pensamento
Político de Hannah Arendt
A
segunda aula foi para a turma de terceiro ano. Primeira ação da professora fez
a chamada. Todos os objetos da aula anterior estavam presentes na sala de aula.
A professora cobrou aos alunos o texto que tinha disponibilizado no grupo da
turma. Quatro de trinta alunas ao fundo da sala disseram não ter lido pois não
conseguiram abrir o arquivo, duas de trinta alunos disseram ter lido e dezenove
de trinta alunos nem se quer notaram a presença da professora, entrou na sala
de aula. O resto dos cinco alunos, permaneceram quietos na sala de aula olhando
para a professora. Nota-se que os alunos estão enérgicos e não param de falar,
três alunas fazem a unha dentro da sala de aula, duas alunas passaram a aula
inteira ouvindo música e os alunos, meninos, conversavam sobre futebol a aula
inteira. A professora inicia a aula tendo que reler o texto para os alunos.
Conforme a aluna lê o texto; ‘Filosofia em Tempos Sombrios’, que contava a vida
da filósofa Hannah Arendt e seu contexto histórico, os alunos não paravam de
conversar, o barulho dos ventiladores era mais alto do que a voz da professora.
Poucos alunos se esforçavam a entender em meio ao barulho da cidade,
ventilador, calor e a aluna tentando ler. Ao meu olhar, apenas seis de trinta
estavam prestando atenção na aula. Mesmo diante a tanta dificuldade de
comunicação professor/aluno (barulho da rua, barulho do ventilador...). Uma
aluna se destaca ao mostrar que leu o texto, debatia e fazia colocações sobre
os contextos e se mostrava muito interessada no assunto. Tal aluna fez diversas
colocações sobre totalitarismo, escravidão e o contexto dos dias de hoje. A
professora chama atenção dos alunos constantemente, todas as vezes eles ficam em
silêncio por menos de trinta segundos e voltam a falar. A aula termina e, a
professora pede um fichamento para os alunos. A aula acabou e só deu tempo de
ler a metade do texto que havia pedido para eles lerem em casa. Como eles não
leram, por sua vez, ela precisou que o texto fosse lido em sala de aula para
dar o assunto como dado. Em resumo, noto que do plano de abordagem que a
professora tentou passar em aula, levando em consideração de que o texto fosse
lido em casa, a aula seria explicativa para que os alunos tirassem suas dúvidas
e seria adentrado mais no pensamento político da Hannah Arendt. O que não foi o
caso, já que a maioria não leu e não se importou com a matéria dada. Ou seja,
essa aula só serviu para reforçar a leitura do texto mediante a necessidade da
entrega de um trabalho pois assim os alunos teriam que ler o texto. Ao final da
Aula, a professora entrega aos alunos um trabalho feito pelos alunos no
primeiro ano do ensino médio. Esse trabalho serviria de maneira prática para
mostrar a evolução deles com a cadeira. Muitos dos desinteressados se
interessaram neste momento, não lembravam do trabalho e para eles foi uma
surpresa. Foi o primeiro trabalho feito por eles, em grupo, seguindo as normas
e as regras da ABNT. O sinal do intervalo bate e todos os alunos nem se quer se
despedem da professora, todos saem para o intervalo.
2.2.1 Intervalo (23/11/2018) Sala dos Professores
2.2.1 Intervalo (23/11/2018) Sala dos Professores
Da sala dos professores, que fica no segundo
andar da escola, dá para observar o pátio, noto que é a hora onde sai mais
risadas entre os alunos e os professores, descontrações e os grupinhos dos
alunos e dos professores são formados, eles correm, brincam e se divertem,
conversam entre si. Ali eles estão sendo. Nada de diferente das escolas que
estudei. Por isso decidi então participar em um lugar onde nunca estive, sala
dos professores, momento de intervalo.
Os professores conversam sobre os alunos, sobre
as suas respectivas vidas, são servidos de café, lanche, chá, mate. Uns se
isolam no celular e outros mantem uma conversa amigável uns com os outros. Noto
que existe intrigas entre os professores, porém o respeito se mantem. Uns notam
minha presença, mas não mantem diálogo comigo, a única que conversou comigo no
intervalo foi a professora Marta, a qual eu estava observando suas aulas. Em
meio a conversa, no fim do intervalo, que passou tão rápido que nem notei, a
Coordenadora entra na sala dos professores, fecha a porta e diz que um pai
apareceu na escola e tomou duas horas do seu tempo no início do dia letivo. Reclamando
um assunto que ela não expos, com isso, ela não conseguiu supervisionar as
alunas que entraram com roupas não apropriadas. Sendo assim, ela pediu para que
os professores mandassem descer para a diretoria. Eu não entendi essa atitude
da direção de exigir que os professores fizessem tal ação, já que isso
contradiria o próprio PPP que se diz embasado em Paulo Freire. Noto que para a
direção, são essas roupas que para eles, incentivam um assédio velado pela
própria instituição, que preferem não debater sobre assédios e sim limitar o
corpo da vítima mantendo uma cultura de opressão para com as alunas.
2.3
Aula 3 (23/11/2018): Primeiro Ano do Ensino Médio, Quarto Turno: Natureza e
Instintos
Na
sala do Primeiro Ano, quase todos os objetos da sala de aula se fazem presente,
menos o armário. A primeira ação da professora foi fazer a chamada. As
carteiras nessa sala estão rabiscadas. A professora chega em sala de aula,
dessa vez na sala a comunicação era maior entre os alunos. a aula está com
alunos bem comunicativos, a professora cobrou o resumo da aula anterior e pediu
para que os alunos assinassem uma ata confirmando a entrega, logo em seguida
ela nota que esqueceu o texto em seu armário, sai da aula para pegar e a turma
fica sem professor até ela voltar. Noto que a turma pouco a pouco começa a
conversar de forma baixa. Não sei se minha presença causou a conversa moderada,
então, decido tentar ouvir os assuntos. Ao aguçar a minha audição, noto que
muitos deles conversavam sobre a matéria; ‘Matemática’. A professora chega em
sala de aula, distribui o texto para todos os alunos, no fim da entrega do
texto, entra o supervisor do SOP, o assunto das roupas curtas é abordado, o que
retira duas das meninas da sala e as manda para a direção. A professora sem
reação observa a ação que gera revolta entre as meninas após a saída de duas
das alunas. Uns meninos também comentam, porém as meninas destacam que os
meninos estão usando bermudas menores e não são chamados. Ali as alunas começam
a discutir e dizem ser injusto a atitude da escola, logo, em meio a revolta, os
alunos começam a acusar e entregar uns aos outros mostrando o quanto os alunos
são separados, a desunião dos próprios alunos. Nota-se que ali os alunos
estariam aptos a debater conceitos como ética, justiça...
A professora decide dar continuidade a matéria. Já que a aula está acabando e têm a obrigatoriedade de se seguir a aula, a professora apressa sua matéria falando sobre natureza, evolução humana, linguagem e cultura. Uns alunos adentram no assunto, porém o sinal toca e a aula acaba sem chegar em 1/3 do assunto que seria tratado na sala de aula já que tal acontecimento atrasou a aula.
A professora decide dar continuidade a matéria. Já que a aula está acabando e têm a obrigatoriedade de se seguir a aula, a professora apressa sua matéria falando sobre natureza, evolução humana, linguagem e cultura. Uns alunos adentram no assunto, porém o sinal toca e a aula acaba sem chegar em 1/3 do assunto que seria tratado na sala de aula já que tal acontecimento atrasou a aula.
2.4
Aula 4 (23/11/2018) Segundo Ano do Ensino Médio, Sexto Turno; Metafísica na
idade moderna
Noto
que a sala é a maior que eu entrei. Todos os objetos citados na primeira sala
de aula estavam presentes na mesma. A turma é mais participativa, porém o
ultimo tempo é o menor. Noto a dificuldade da professora de aplicar a sua aula
com um tempo tão curto. É cobrado e posteriormente explicado um trabalho sobre
reaproveitamento do lixo, que os alunos escreveram e que a professora quer que
os alunos ponham em prática, sendo um trabalho em grupo. Primeiro ato da
professora foi a chamada. Ela reexplica o trabalho que é sobre reciclagem.
Depois de reexplicar o trabalho, ela faz o processo de leitura do livro
didático para os alunos onde todos permanecem em silêncio enquanto o texto vai
sendo lido por uma aluna, o tempo é curto e no final ela pede para que façam um
exercício para a casa do livro didático após o texto que não deu tempo de ser
lido por completo. Pede o exercício 12, 13, 14 e 15 após o texto. O sinal toca
e os alunos saem da aula, uns perguntam sobre seu bebê, nessa turma, notei que
todos são muito ligados uns aos outros, todos se despedem com beijos, abraços e
desejam um bom final de semana para a professora e para seus colegas de turma.
CONCLUSÃO
No primeiro dia que fui para tentar
fazer o estágio, a professora, que está grávida, ficou doente e não foi, na
outra semana a escola estava em uma organização de evento de dia das Bruxas, e
na semana posterior era uma sexta depois de feriado onde não teria a
experiência por completo, restando apenas última sexta feira (23/11/2018). A
escola carece de muitas coisas, entre elas, comunicação professor e aluno. Culpo
as circunstancias e o meio político em que a escola está inserida. Os alunos vão para a
escola desmotivados e completamente desinformados do que é a escola em si. Os
professores saem das universidades pensando encontrar um sistema utópico estilo
universitário, onde o silêncio e a informação científica é predominante. Creio
que perdemos, como universitários, um pouco da nossa sensibilidade, vivência na
escola, costume da vivência do ensino médio. Nós nos parametrizando as formas
de aula da universidade, onde existe um espaço de 3 a 4 horas de aula sobre o
mesmo tema. Os professores se tornam desmotivados ao ver a prisão que eles
estão impostos a conviver. Os alunos estão presos em ideias e formas antigas de
ensino, os professores nada podem fazer, já que as aulas passam tão rápido que
não dá tempo para concluir nenhuma aula. A maioria dos alunos, sabem da
injustiça que vivem, possuem potencial de modificar o ambiente escolar, mas
eles não são instigados a agir como unidade, eles são em sua maior parte
desunidos e uma escola que une seus alunos se torna uma escola transformadora,
eles são instigados a copiar e não raciocinar. Sabemos disso pois o sistema
educacional funciona assim, mas a mudança pode vim dessa nova geração que não
se entende e embora tenham celulares, não se comunicam. A escola limita e
padroniza todos, qualquer escola é assim. Uniformes, horários, regras e deveres
são impostos e não debatidos. O que intriga é a manutenção dessa forma de
comando escolar que se foca em números e estatísticas para aumentar o seu ganho
que o governo nos obriga a manter. Independente da escola, a sua obrigação é
ensinar, porém nos limitam a fazer com que os alunos copiem. Os alunos copiam,
leem pequenos textos de forma desmotivada. A escola se transformou em um lugar
de tristeza e solidão. Os alunos se isolam uns dos outros, geram grupos e nem
se quer conseguem compreender que ali é o local de informação e que os vai
impulsionar para a vida adulta. Os assuntos pautados pelos pensadores da
educação citado no PPP foi abafado quando o assunto foram roupas inadequadas
para as meninas, porém, meninos usavam bermudas mais curta do que as delas e
não eram visto da mesma forma que previa Paulo Freire, por exemplo. Os alunos
estão aprisionados e aprisiona-los não resolverá o problema. Retirar meninas
com roupas no joelho em dia de calor não resolve o problema. Precisa-se
conscientizar o papel da escola em meio a tal problema. Os alunos, meninos e os
homens da escola deveriam saber lidar com o corpo feminino da mesma forma que
eles lidam com o corpo masculino, o corpo feminino das alunas ainda continua
hiperssexualizado. Depois de ter saído da escola à dez anos atrás. Nada mudou,
a escola omite os temas transversais por não ter tempo, pois deve-se encaixar
muitas aulas em pouco tempo. O som ensurdecedor dos ventiladores, do trânsito
faz com que diminua a comunicação do professor com o aluno, que por sua vez, já
que não escuta, prefere conversar com os amigos. Os professores tentam chamar a
atenção para eles, mas a tensão do ambiente faz com que eles percam o interesse
nas aulas. Se devo destacar as vítimas de tal sistema que por sua vez, não vêm
da direção e sim do governo, são os professores e os alunos. Diferente das
aulas ministradas na universidade, onde todos ficam em silêncio, de olho no professor,
levantando a mão para se inscrever para falar em meio a um contrato social
instituído pela universidade. Os alunos e as aulas de ensino médio são difíceis
de controlar, tanto que muitos alunos dizem respeitar apenas os professores que
gritam, pois eles gritam e assim se mantêm o silêncio na sala de aula. Porém,
uma boa aula não é uma aula em silêncio, uma boa aula não é a aula que segue as
diretrizes da escola e do plano pedagógico, muito menos uma aula em que você
falou com as paredes o tempo todo e no final ninguém entendeu, porém, eles
balançam a cabeça dizendo que sim. Uma boa aula é uma aula onde a curiosidade
seja aguçada, onde o aluno participe de livre e espontânea vontade, onde as
dúvidas são retiradas em um debate aberto e horizontal entre professor e aluno.
As diretrizes da escola limita, e muito, os educadores, os educandos, a
direção, os pais e assim, consequentemente limita a sociedade, que por sua vez,
mantém o mesmo método sistemático educacional limitado. A forma que são
tratados os alunos, os limitam, os reduz cada vez mais como indivíduos, limitam
a criatividade e parametrizam todos. Não se incentiva o pensamento crítico e
muito menos os tornam aptos e prontos para o mundo fora da escola. O sistema
educacional nos aprisiona, nos parametriza e torna hereditária as injustiças
cometidas fora dela. Porém, não se pode fazer muito, já que dependemos dos
governantes eleitos para mudar essa realidade dura que é a Escola. Agora, a
Universidade enquanto formadora de docentes, deve nos mostrar constantemente e
desde o início do primeiro semestre a dura realidade das escolas, para evitar
desilusões futuras para os formandos em licenciatura, que foi o caso da
coordenadoria do curso. Ademais, agradeço a oportunidade de poder ter vivido
essa experiência de em um dia presenciar dois polos distintos da educação, a
formação de professores e a formação de cidadãos.

