terça-feira, 4 de setembro de 2018
É fácil reclamar
Mediante aos incêndios no Museu Nacional e na Biblioteca, abre-se uma questão que creio eu, poucos se perguntariam. Afinal, a culpa do descaso público é apenas dos governantes ou a culpa é nossa, em geral?
Sabe-se que de todas as formas, nós, brasileiros, não somos ativos politicamente, a não ser nas redes sociais, já que é mais fácil compartilhar e comentar alguma coisa do que levantar da cadeira confortável e agir. Porém, qual é o nosso grau de responsabilidade na crise sistemática que vivemos?
Somos reféns em um sistema "democrático" falho e contraditório. Não creio que as eleições dão o resultado exato das eleições. Porém, permanecemos em silêncio para se sentir melhor, já que a política inicializada por César, pão e circo, funciona no Brasil até hoje. Acredito que a menos que deixemos de ser tão incompetentes em sentido de revolução, não mudaremos nada. As escolas sucateadas, o sistema político repleto de corrupção e cá entre nós, brasileiro não entende nada de política. É demostrado com clareza quando se diz: 'política não se discute' e quando se discute, prevalece as falácias e a pirraça. As falacias, claro, está presente no mundo, porém a pirraça, só o brasileiro têm.
O fato de querer estar com a razão e crer estar certo sobre todas as coisas. Confundem um debate com uma conversa de churrasco, parece até que o fato de quem fala mais alto, ganha o argumento. Como um: 'Lalalá Brizola'. Definitivamente, não sabemos, enquanto cidadãos, os direitos e deveres que temos. Claro, isso foi por culpa de nossa história, que durante toda a nossa vida, as grandes mudanças foram geridas por quem detêm o poder. Independência, República, Golpe Militar, Democratização. Sempre fomos, como uma nação, condenada à seguir as 'revoluções' proposta pelos governantes e nem se quer paramos para analisar sobre o que estamos 'lutando'. Ao modo em que se acontece a 'revolução' a população não assume a responsabilidade de ter apoiado cegamente o modo proposto pelo 'herói' que aparece em uma tela de celular, desferindo pela internet, discursos falhos, cheios de contradições e ódio.
Porém é muito fácil reclamar. Reclamar que o sistema não funciona, que a educação não funciona e que nada funciona nesse nosso 'querido' país. Porém, não se diz muito na responsabilidade que a população exerce ao acreditar e decidir apoiar tais golpes contra eles mesmos. Temos total responsabilidade com os incêndios que aconteceram recentemente, tanto quanto as responsabilidade na falta de segurança, na educação, na saúde. Permanecemos mudos e em silêncio quando diz respeito a ação popular ao descaso da crise política. Da falta de vergonha na cara que nos coloca nesse mundo destrutivo. Quando se referiam ao Gigante que acordou, eu dizia que ele bocejou, já que a população não sabe nem se quer o poder que ela têm. Pois se soubesse, muitas coisas não estariam acontecendo. Da mesma forma, nos vemos com medo por encarar uma polícia armada que defende obrigatoriamente os comandantes do Estado. Tal medo, nos mantém controlados, sendo que, a população, se em sua grande maioria, ganhar não só as ruas e invadir ambientes infectados por essa crise e resolvesse reestruturar tudo, poderia em suma resolver boa parte dos problemas atuais.
Seguimos acreditando ser governados mas estando completamente desgovernados. Pensamos que os retóricos, segundo Rousseau, são os salvadores da pátria e resolverá todos os problemas nos próximos quatro anos de mandato. Não precisamos de quatro ano de mandato e sim de uma revolução. O Brasil clama por uma a mais de quinhentos anos, e não as revoluções fajutas. Guiadas por políticos, imperadores ou militares e sim do povo para o povo. Precisamos de cinquenta anos de revolução, mudança total do estado, redefinir marcações de terras, redefinir leis, redefinir escola, redefinir a forma que é tratada a saúde e redefinir a segurança.
Precisaria evoluir muito para garantir um bem estar social. A nação não precisa de um candidato que diz fazer isso ou aquilo para no final não mudar nada. A população brasileira precisa de uma Revolução Brasileira e não apenas política. Tudo está em uma forma cíclica, começamos discutir em uma coisa e terminamos em outra. Todos fazem parte de um mesmo tudo. A educação forma seres ignorantes e sem um pingo de respeito para com o próximo. Em seguida forma-se médicos que apenas se importam com dinheiro. Posteriormente, cria-se a segurança para proteger quem detém poder. Sendo assim, a corrupção no Brasil passa a ser a coisa mais fácil de se fazer. Isso é porque estou falando por alto.
A população é completamente conivente com os descasos governamentais, com a corrupção, golpes... Não assumir lado é assumir lado. E muitas vezes é pior do que assumir determinados lados. Se não nos entendermos como população, cada vez mais é fácil nos roubar. Acreditar que política não se discute é ser conivente com a injustiça implementada pelos detentores de representatividade da população, mesmo que não os represente.
Temos então uma população pacífica, desunida, de uma maneira fragmentada, desacreditada e enganada durante toda a sua existência. Seguimos criando memes, conferindo curtidas de redes sociais e preocupados se somos ou não respeitados. Criamos depressivos, desacreditados e em suma muitos desonestos, seja para com outra pessoa quanto para ela mesma. Todavia, acreditar e se acostumar com um bom lugar, ser dominado pela própria comida, nos torna tanto refém do sistema que sustentamos quanto conivente com as injustiças. Você, eu, todos somos responsáveis pelo fogo do museu, pelo fogo da biblioteca, pelo prédio que caiu, pelo fogo na boate, pela 'ponte que partiu' e pelo atual sistema nacional.
Em suma, não faremos nenhuma revolução por medo de morrer, tal medo de morrer é mais eficiente do que algemas para se prender alguém no sistema. Vivemos isso hoje e o pior é o fato de sermos culpados por não lutar contra os poucos que destroem o que temos de mais precioso, nossas vidas.
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